Olá, meninas!
Tudo bem? Comigo tudo tranquilo. De verdade. Fiz a ultra da mama que restou e ela está se comportando muuuuito bem. Ai, meu peito direito... Estou tão orgulhosa de você! Você está se comportando tão bonitinho... Jamais, nunca, em tempo algum você pense em imitar o seu irmão esquerdo, ouviu bem? Continue assim, e você vai comigo para sempre. Bobeia, que você vai parar numa parafina como o seu irmãozinho assassino.
ATENÇÃO: o post de hoje é chato, mala, um saco... Vai abordar um assunto pior ainda. Mas precisava falar sobre isso... Prometo que o próximo vai ser mais divertido.
Bem, depois desse breve papo com meu seio direito (e desse alerta), vou ao que interessa. O assunto de hoje não é legal, nem engraçado, muito menos divertido, mas acontecerá a 100% de nós. Sim, TODOS nós iremos passar por isso. Mais cedo ou mais tarde, novas ou velhas, de repente ou aos poucos... Ninguém, absolutamente ninguém sabe como será, mas só temos essa certeza na vida... Vocês já devem estar imaginando sobre o que estou falando, mas, é, beeem, isso é tão difícil de falar, não é? Ainda mais quando se está num tratamento de um câncer (sei que ele não está mais aqui, que só estou usando o Herceptin para evitar que ele volte, blablabla...), mas alguém precisa falar... Bem, vou falar sobre a morte.
Mas aonde eu estava com a cabeça ao resolver abordar esse assunto? Por que vamos falar de coisas ruins, quando se tem que ter pensamentos positivos, pensar em coisas legais, em flores no campo, filhotes de cachorro correndo, famílias felizes em anúncios de margarina? Porque ela está aí. Do lado de todos nós, mas muita gente finge que não vê... Ela só acontece com o outro. Ela só acontece na família ao lado, ela só acontece com quem tem essa doença, ou aquela, ou ainda com quem não se cuida, com quem fuma, com quem é obeso, com quem é sedentário... Não, comigo, não. Nunca!
E fui percebendo que o medo de encarar a morte, o medo dela estar rondando, mesmo quando você sabe que ela não está tão perto assim (apesar de muitas pessoas ainda associarem o câncer à morte!), faz com que as pessoas ou se afastem, ou tenham olhar de pena, ou pensem que esse azar é só nosso, só a gente ficou doente. Parece que a morte só ronda a gente. Os outros são imortais. Não sei se vocês lidaram com isso diretamente, mas espero que esse post sirva para a gente não achar que vamos morrer, uhuuu, que maneiro, mas sim, para alertar as pessoas que a morte existe, sim, que ela acontecerá para todos (segundo todas as pesquisas 100% dos americanos - e todos nós ao redor do mundo - iremos morrer) e que quem está com câncer não está com o testamento pronto, com o horário do São João Batista reservado, muito menos com a missa de 7o dia marcada.
Fuui amarga, fui azeda, foi mal aí. Mas, aprendi mais uma lição com isso tudo: não guardo mais nada dentro de mim. Não porque "dê câncer", mas porque faz mal mesmo. Moral da história: Para morrer, basta estar vivo. E eu espero continuar ainda muito tempo por aqui. E que todas nós também. Felizes, aproveitando cada dia mais, com cada vez mais prazer e sempre pensando mais no próximo. Beijos e um ótimo final de semana.
P.S. sem foto por hoje, de luto mesmo, pelo sentimento dos outros.














