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domingo, 1 de maio de 2016

Um dia após o outro...

Olá, meninas!

     Estava sumida mais uma vez, né? Mas dessa vez o motivo foi mais do que só trabalho... Fiquei doente... Mas, calma! Não tive recidiva, nem metástase. Parece que depois que você tem câncer, a única doença que você pode ter é... Câncer... Mas não, estou tratando uma depressão mesmo.


     Engraçado como demorei a assumir que estava deprimida. O câncer pareceu ser mais simples, dentro de toda sua complexidade. Achei um caroço, fiz biópsia, mastectomia, quimio, Herceptin, reconstruções e mais alguns anos de Letrozol e Zoladex... E vida segue. Com a depressão, não... 

                                            (Vai que alguém não acredita que passei por essa bagaça...)

     Parece que ela veio sorrateira... Foi minando primeiro meu sono, passou para a alimentação, alterou minha vontade de sair, chegou ao cúmulo de ser difícil sair da cama. Era ir para o trabalho com a sensação do mundo estar todo cinza e com um saco de cimento nas costas e voltar para casa o mais rápido possível...

     E aí vieram as sensações e desculpas as mais variadas... É a fase no trabalho, é a crise no Brasil, é a época de fazer exames, é ser próximo à data de morte do meu pai, é que a comida está ruim, é porque o céu tem estado mais nublado mesmo... Enfim, fui empurrando, empurrando... Até que..

     "Acho que estou mais triste do que o normal", "tenho estado chata, melhor ficar mais quietinha na minha até isso tudo passar"... Mas o estalo veio mesmo foi quando eu vi um pote de Nutella cheio na prateleira e nem consegui comer uma colher inteira. Era grave mesmo.
<3 Nutella mais uma vez salvando minha vida. Ela não precisa nem entrar em mim... Linda. 


     Mas aí que entra o pós-venda do câncer...  Porque aí você começa... 
Mas, carai... Em 2016 eu completaria os tais 5 anos (que saíram de moda... Eles não querem mais dizer nada...), era para eu estar feliz e saltitante... Não conseguia.

     Você está achando a vida sem graça... Mas você lutou tanto por ela... Não conseguia.

     Praia? Nem pensar. E olha que tentei. Sem chance. O mar não ficava azul. O céu era cinza. Mesmo em dias de sol... Não conseguia.

     Veio a culpa. A tal interpretação da culpa católica. (Papa Francisco, onde o senhor andou quando eu estava no catecismo?). Deus vai ficar decepcionado comigo (Oi? Marina? Alô? Deus decepcionado com você? Acoooorda! Calma, gente! Eu estava em semi-surto!) por eu estar triste e não estar totalmente grata por estar com a saúde tão boa assim... E aí no delírio cristão em que me encontrava, Maria, José, Santa Rita, Santo Expedito, Santa Therezinha e toda a galera iluminada lá de cima também devia estar super magoada comigo... Vai entender o cérebro de um deprimido... E eu tentava ser racional, mas... Não conseguia.



     Comecei a tentar sair. Não conseguia.

     Ligar para as pessoas... Não conseguia.

     Fazer compras. Não conseguia.

     Foi virando um acúmulo de "não conseguia". Até que consegui marcar a Psiquiatra indicada pela minha linda, maravilhosa e perfeita mastologista. Ah, detalhe. Só consegui ir nela porque uma amiga/irmã de trabalho foi comigo. Se não... Vocês já imaginam, né?


     E cá estou eu. Em plenos 5 anos após o fim da parte mais "trash" do tratamento do câncer, sobre o qual eu falei tanto, tentando ajudar a quem estivesse passando por essa bagaça, me abrindo mais uma vez e falando de depressão. Já estou completando 30 dias de medicação e o céu está começando a ficar azul, o chocolate tem começado a ter gosto e consegui até sair pelo Rio (Valeu, Dea!!! A primeira a me aturar no comecinho do tratamento!) ir em show com multidão (Valeu, Gu!), viajar (Valeu, Flavita!) e voltar a comer e sorrir (Valeu Maria, Maria Fernanda e Veronica!

     Sei que é engraçado como doenças psiquiátricas ainda são um tabu ainda maior que o câncer. Como as pessoas escondem o que sentem. Como demoram a buscar ajuda e o profissional certo... Espero que consiga contribuir de alguma forma e dar força para quem quer que esteja passando por algo similar, consiga buscar ajuda. Ter câncer realmente é uma m... Mas ter tido câncer e ainda ganhar como cereja do bolo esse estresse pós-traumático, é uma baía de Guanabara inteira... 
Mas 'vambora ser feliz. Na hora certa, no tempo certo. Um dia após o outro. 


Beijos em todas.
P.S. Escrever esse post teve um significado enorme de recomeço para mim. Porque agora, eu consegui. <3

Obrigada do fundo do coração aos que torcem por mim. Aos que não, paciência. Rezo por vocês também. <3

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Viver dá...

Olá, pessoal!

     Tudo bem? Para variar, sumi... Mea culpa, mea maxima culpa. Mas podem reparar, não sou um pontinho fora da curva... Quase todo mundo dá aquele sumiço dos blogs quando acaba o período mais crítico da doença... É triste, é ruim, eu mesma tinha raiva disso, mas... Acontece.

     Acontece, por mil motivos. Porque você dá uma cansada de tantos "oncoassuntos", porque você volta numa de tentar recuperar o tempo perdido, porque você volta ao trabalho e ele acaba te sugando... Enfim, você some. Não é legal. Mas, é o que ocorre na maioria dos casos.

     Hoje, por exemplo, só estou escrevendo aqui, porque tive um semi-piripaque no meu emprego 1 do dia (simmmm, porque médico nesse Brasil varonil tem uns 10 empregos... Mas... Não vou entrar nesse mérito. Não é o foco por aqui...), e vim para casa mais cedo... Não ache que é fácil assim. Foi preciso o piripaque se iniciar ontem, eu trabalhar hoje e ver que não tinha a menor condição de pegar a Dutra, para, cheia de culpa, não ir ao trabalho hoje... E detalhe. Neste emprego estou num processo de adaptação. Que de adaptação não tem nada. Mas, enfim...

     E aí a gente se pergunta. Por que se cobrar tanto? Vejo gente que nunca teve nada de mais grave faltando porque teve um resfriado. Acho que sempre me cobrei e agora, ao invés de relaxar, estou me cobrando ainda mais... E? Nada. Não estou conseguindo mudar isso. Fico devendo... Para 2016...:)

     Outro ponto... Quando estava no meu momento piripaque, vem uma vozinha dizendo... "Você teve câncer, não pode se estressar assim..." - Ô, carai... Se eu me estresso, câncer. Se eu guardo, câncer. Se eu comer alface, cuidado! Agrotóxico! Câncer. Orgânico? Água que lavou a rúcula, tinha hormônios, câncer... Resumindo... Viver dá câncer. E só em mim, né? Você que fuma, pega 3 horas de engarrafamento, come MacDonald´s 2x/semana, não faz uma atividade física, se estressa ouvindo rádio, lendo jornal e vendo TV à noite, está tudo bem, né? Vai virar semente, fof@? Morrer todos vamos, para de me "agourar". Ainda vou virar a "véinha" da foto...



     Resumindo. Vim aqui para um momento-desabafo. Porque vi que não mudei tanto assim depois que fiquei doente. Que a vida voltou a ficar mais ou menos como era antes... Com dois adendos: agora me pelo de medo de ter recidiva, então até unha encravada é motivo de pânico e quando estou no auuuuge do estresse, lembro do cabelo caindo, dos "baldinhos de enjoo" e vejo o que realmente importa. Obrigada por ainda ter esses momentos de lucidez, Senhor. 

     E para as que reclamaram do meu sumiço. Não é por mal. É trabalho demais mesmo.
Obrigada pela compreensão. Volte sempre. 
Beijos!!!

P.S. Um alento para as meninas que estão no meio da "bagaça": sou a prova viva de que a vida volta ao normal...;)





domingo, 1 de fevereiro de 2015

Manual para quem teve câncer...

É, amiga, você teve câncer...

Que m..., hein? Por mais que a gente tenha muito mais a comemorar do que a chorar, venhamos e convenhamos, não foi fácil, né? Só a gente que passou sabe o quão difícil foi, por mais forte que tenhamos parecido ser...

Nessa semana me vi relendo o post que fiz sobre o "Manual para quem descobriu que está com câncer" (link aqui), e pensei... Por que não fazer o para quem sobreviveu a esta meleca?

Antes das críticas, não sou um ser iluminado dando dicas de como ser, fazer, agir, só tento brincar com essa droga de doença que aconteceu com a gente (ou com alguém importante para você...).

Vamos às dicas?

1 - Primeira delas. Você é sinistra. Sério. Enquanto suas amigas choravam porque queriam uma bolsa, um sapato, um perfume, que o cabelo alisasse (ou encaracolasse...aff, mulher nunca está satisfeita com nada), que a barriga ficasse tanquinho, que a bunda virasse a de madrinha de escola de samba, nós estávamos querendo apenas sobreviver. E lutamos muito para isso. Cara (sou carioca, lembram?:), você é Ph..., com ph mesmo...


2 - Você está dando muito mais valor à vida. Claro que você tem problemas. O seu emprego tem momentos chatos, seu chefe te perturba, muitas vezes você nem conseguiu voltar a trabalhar, as contas não pararam de chegar, você ainda pega trânsito, gente te destrata em alguns lugares, masss... O que significa isso quando você compara aos momentos pós-quimio??? Ahhhh, tiramos isso de letra.

3 - Seu cabelo cresceu. Em algumas, ele cresceu mais liso, em outras mais ondulado, mais branco, mais louro, mais escuro... Mas cresceu... E cá entre nós duas, você já voltou a reclamar de ter que secá-lo antes de sair, não foi? E a conta do cartão de crédito voltou a crescer com xampus e condicionadores caaaaros, não voltou? Seu banheiro já parece o setor de higiene pessoal do mercado... Lembra quando ele começou a cair? Pois é, ele cresceu e você já faz até rabo de cavalo...


4 - Lembra aquele soutien bege enoooorme que você comprou para o pós-op da mastectomia? Você acaba descobrindo que até que o danado era confortável, naquele dia de desespero onde os bonitinhos estão lavando e você apela para o bege-vovó mesmo...

5 - Você agora tem uma cicatriz gigante no peito... (ou nos dois, ou na barriga...). E sabe o que isso quer dizer? NADA! Quanta mulher não anda operando e ficando com cicatriz enorme por motivos estéticos. A nossa foi sobrevivência, baby...:) E ela diz respeito ao item 1.

6 - Você pode não estar se alimentando da forma mais correta, pode ainda não estar fazendo exercícios (mea culpa...), mas sabe bem que precisa e vai encaixar isso na sua vida nos próximos 15 dias.

7 - Como a gente ficou alguns meses longe de algumas coisas bem boas durante o tratamento, agora cada mergulho no mar é ainda mais gostoso, cada salada crua é ainda mais saudável, cada cinema é ainda mais legal... Até aquela praia lotaaaada dos fds está ótima. 



8 - Você agora sabe bem o que outra paciente com câncer está sentindo. E sabe o que é bom disso tudo? Você pode realmente ajudar outras pessoas. E como faz bem para alguém que está começando o tratamento ouvir de alguém que já passou por isso de que está tudo bem, de que a vida seguiu e a dela também vai seguir...

9 - Você tem um medo que se pela da meleca do câncer voltar... Eu sei. Cada mês de fazer exames é pior que pular de asa-delta sem a asa... Sensação pura de medo. Afinal quem achou bom encarar um diagnóstico desses? Mas, vamos ser racionais (ao menos tentar): quantas pessoas são atropeladas todo dia? Quantas morrem em decorrência da violência? Pois é, para morrer basta estar vivo, então vamos aproveitar bem o hoje, pois o amanhã ninguém (mas ninguém mesmo!) sabe se chegará.

10 - Por falar em medo que se pela... Quer parar com essa mania infeliz de continuar abrindo os laudos antes de levar ao(s) seu(s) médico(s)???? E lá vai correr para o Dr.Google e ler um mooonte de coisa nada a ver... E para de querer fazer os exames de tudo quanto é coisa porque quer descobrir logo se tem metástase... Na boa, se tiver você vai tratar. Para de sofrer de véspera! Ou você é peru? 



11 - E que tal aproveitar que você passou por esse perrengue ainda jovem e tentar saber qual é sua meta (suas...) de vida. Muitas vezes as pessoas só param para pensar no que querem deixar de lembrança para os que ficam neste mundo, quando já estão beeeem velhinhas... A gente encarou a morte bem cedo, foi uma droga, mas já sabemos bem que ela chega e vai chegar para todos... Que tal aproveitar a vida e deixar nossa marca com orgulho de termos vivido bem e fazendo o bem?

12 - E para não acabar no 10, porque afinal somos diferentes... Vamos ser felizes. Não sempre, pois tivemos câncer, não ficamos loucas... Sabemos que terão dias nublados, assim como existem os dias de sol... A vida é cíclica, mas que a gente consiga fazer com que os dias mais pesados sejam menos frequentes e que a alegria de estar viva perdure na maior parte da vida. E ´bora aproveitar que é fevereiro e #partiubloquinhos. UHUUUUUUUUUU!


P.S. Dia 08 de fevereiro farei 4 anos de mastectomia. Acreditem, passa rápido. E vambora para os 5 anos! UHUUUUUUUU²!

P.S². Em virtude de comemorar 4 anos de sobrevida (odeeeeio esse termo...), dia 08/02, aceito presentes, viu???

Mil beijos para todas!


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O tempo passa... O tempo voa...

     Olá, meninas!

     Voltei antes do que imaginavam, né? Prometi que quando tivesse alguma ideia e sendo possível, eu escreveria rapidamente aqui... Hoje a ideia veio, e estava em casa... Logo, vamos ver no que vai dar...:)

     Nem sou muito de fazer rascunho quando escrevo. Vou deixando as palavras aparecerem, digito (cato milho, vá lá...) e no final dou uma revisada e publico. O que vem do coração sai mais leve. E se posso dar uma dica para quem está no meio do furacão do diagnóstico/tratamento de um câncer, vai essa: escreva. Ajuda muito. No meu caso posso dizer que foi parte importantíssima para eu manter minha saúde mental quase em dia... (Normal, normalzinha eu nunca fui mesmo... rs)

     Mas vamos ao que interessa: o texto de hoje. 

     Essa semana rolou comemoração de fim de ano com o pessoal do trabalho. Tá, e daí? Todo mundo neste mundo de meu Deus deve ter participado de ao menos uma festcheeenha de fim de ano, mesmo achando que Cristo era só mais um cara cabeludo, gente fina e do bem... No meu caso esse momento serviu para muito mais do que ter certeza de que trabalho com pessoas mais do que especiais... Serviu para fazer um flashback do que aconteceu de 2010 para cá...

     Há 4 anos atrás, nos idos de 2010, a Copa tinha sido na África do Sul, eu tinha acabado de me matar no mestrado, mudado de rumo no que diz respeito à vida sentimental, entrado em 2 empregos diferentes e perdido um dos maiores amores da minha vida: o Toddy, meu labrador chocolate mais lindo do planeta... 2010 tinha sido tão sinistro que esperava um 2011 mais tranquilo, com esperança de que a calmaria estaria chegando... Ha ha ha


     E 2011 chegou. Num réveillon em Mauá, sem um barulho de fogos, cachoeira e muito ar puro. Pronto, era o prenúncio da paz que reinaria. Tolinha de novo: 24 de janeiro e vem a cartinha mais temida que, resumidamente, dizia: F... Você está com câncer. Morri, ressuscitei e fui à luta. Mastectomia, quimioterapia, ficar careca, vomitar a alma, mais cirurgias, parar de trabalhar totalmente por 2 anos, mais medicações injetáveis, mil consultas, três mil exames, medo, muito medo e mais vontade ainda de viver e ser feliz.

     Mas e por que essas recordações assim e no meio de uma festa de trabalho? 


     Porque essas pessoas que estavam ao meu lado nem devem saber, mas elas que abriram os braços e me acolheram no meu retorno. Retorno ao trabalho, retorno ao "mudar novamente de lado na maca", retorno à vida... E elas me receberam tão bem, que já faz quase 2 anos que este retorno aconteceu, mas ainda hoje eu agradeço muito por saber que posso contar com elas. Mesmo que elas não tenham noção disso, elas são minhas anjinhas da guarda. E eu jamais esquecerei dos sorrisos, das gargalhadas e do apoio incondicional que elas me dão todo dia, o dia todo. 

     E que 2015 passe logo... E 2016 chegue rápido... E 5 anos terão se passado... :) 

     ..." Para todo mal, a CURAAAAA..."  ou ..." há cura..." (a critério do freguês)

     Mil beijos!

     

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A hora é agora...

     Olá! Tudo bem??

     Nossa, se eu chamava o que acontecia antes de sumiço... O que aconteceu agora foi desaparecimento total mesmo, devo ter ido para Marte com o Curiosity, sumi com a água de SP ou com a vergonha na cara dos políticos...

     Se por um lado esse meu sumiço é ótimo sinal: meus exames estão todos normais... Por outro é sinal de que a vida voltou a ser exatamente como era antes do câncer: trabalho, muito trabalho... E isso pode não ser tão bom assim...

     Relendo meus posts prévios, vi que eu ia mudar mil coisas na vida e de verdade? Mudei mais minha forma de pensar do que a de agir... Continuo me dedicando demais ao trabalho, confiando em quem não merece tanto, abrindo mão de muitas coisas e ainda dizendo muito "SIM", quando na verdade o que eu mais queria era dizer um sonoro "NÃO"... 



     Mas, como na vida não podemos ser estáticos e sabemos de antemão que sempre iremos errar, o que precisamos fazer é reconhecer que erramos e mudar, aprender, evoluir... Não pode saber que está errado e continuar batendo cabeça...

     E, em 8 de dezembro de 2014, dia de Nossa Senhora da Conceição, comecei com minha primeira mudança: o agora é o que importa. Baseado num livro que estou lendo, o amanhã eu deixo para depois. O hoje é o que eu tenho de certo. E ele vai ser o melhor possível. E que a cada minuto, hora, dia, mês, eu tenha aproveitado cada momento. 

A hora é agora, o momento é já:


quinta-feira, 10 de julho de 2014

A mulher que eu virei...

     Olá, meninas!

     Para variar, estou sumida, né? Eu sempre prometo não desaparecer muito, mas acaba que a vida vai dando voltas e acabo chegando tão cansada, que fico sem ideia para escrever aqui... (mentirinha, ideias eu sempre tenho, me dá é preguiça mesmo!).

     Sumi porque a vida tem dessas reviravoltas, né? E nós, que passamos por uma meleca de uma doença, sabemos bem como ela dá essas guinadas e como elas aparecem de onde menos se espera. Pois bem, aconteceu algo assim, mas só que no meu trabalho. Onde éramos um grupo, viramos duas. E sabe o que isso me mostrou?

     Que não é que o &%$#@ do câncer me deixou algo de bom? Agora, no auge do estresse, penso que se me livrei de uma doença dessas, nada mais vai me abalar... Se no auge do diagnóstico eu aguentei de pé... O que mais pode me derrubar? Gente falsa? Trabalho demais? Falta de compromisso/comprometimento? Ah, tiro de letra. Meu cabelo já caiu, já fiquei careca, já tive a pele igual a um Chokito... Isso é café pequeno.

      Problemas sempre aparecem, a maturidade nos mostra que a forma como os encaramos é que nos diferencia dos demais.
   
     E depois desse estresse/decepção é que eu percebi que mulher que quero ser e continuar sendo:
     - aquela em que os outros podem contar/confiar
     - que trabalha no que ama e o faz da melhor forma possível
     - aquela que mesmo no meio do tsunami, consegue manter a respiração calma, mas com o foco de voltar à superfície
     - ter paz e saúde.

     E que eu continue cada vez mais aprendendo... E sabendo que a vida é isso: um eterno aprendizado. E que eu não repita de ano. :)


     Mil beijos! Saudades de vocês!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Eu acredito!!!

     Olá, meninas!!

     Tudo bem?? Comigo tudo ótimo. Vida voltando cada vez mais ao normal, apesar de saber que depois de passar pelo que passamos, voltar ao normal (normaaaal mesmo) nunca mais será possível (como esquecer dos cabelos caindo ralo abaixo, do enjoo das quimios, da cicatriz enorme?). Mas, a vida volta aos eixos e, acho eu, que voltamos encarando tudo de uma forma diferente.

     Eu sempre escrevi aqui sobre meu tratamento, sobre como eu tinha encarado o câncer, mas poucas vezes escrevi sobre minha vida "fora do mundo oncológico". Dividi com vocês várias angústias e várias "divagações", mas sempre que lia blogs sobre câncer, sentia falta das pessoas escreverem como elas estavam depois que tudo passou... 

     Pois bem, cá estou eu 3 anos após a mastectomia, 2 anos e uns quebrados após o término das quimios, 1 ano e uns quebrados (quase 2!!) do término do Herceptin, comemorando com vocês o fato de eu estar me sentindo de volta ao trabalho. Vocês vão estranhar... Mas, ué, já não voltou ano passado? Simmmmmm! Não fiquei doida. Vou explicar... :)

     Em fevereiro do ano passado, tive a chance de voltar a trabalhar antes do que eu imaginava. Como todo recomeço, foi difícil, achava que não saberia mais ser médica, estava insegura com tudo. Mas fui muito bem recebida por todos do Hospital Badim. Tive apoio, carinho, orientação, ajuda e mais todas as palavras bonitas que vierem à sua cabeça nesse momento. 

     Foi difícil? Muito. Se reiventar após 2 anos afastada e tendo passado por uma experiência que te mostra que você tem sim um fim, te faz refletir de todas as formas. Bobeiras são bobeiras. Mas certas angústias são reais. E sempre tive a sorte de ter profissionais ao meu lado que compreendiam isso. Descobri que mais do que COLEGAS DE trabalho, tenho AMIGOS NO trabalho.


     E hoje, nosso hospital foi acreditado com excelência... E isso foi maravilhoso. Mas, além do paciente poder ter confiança na qualidade do nosso atendimento, entendi o real significado da palavra EQUIPE. E esse meu "blablabla" todo foi para isso. Para agradecer enormemente a todos que compõe a grande família do Hospital Badim. Saber que você faz parte de um grupo que quer construir JUNTO no mundo de hoje faz toda a diferença. Sentir que pertencemos a um lugar onde todos querem SE ajudar, faz valer a pena sair todo dia de casa cedo. 

     Obrigada a todos do Badim. Obrigada por me fazer voltar à vida e com toda essa vontade de fazer melhor. Obrigada por me mostrarem como fazer a diferença. E juntos. 



     Meninas que estão chegando agora: Espero que essa mensagem sirva de conforto para quem está na fase do início do tratamento. O tempo ameniza todas as dores. Vai passar. Acreditem. Eu e todos do meu trabalho acreditamos. :)

     Muitos beijos! 

     


domingo, 18 de maio de 2014

Em que posso ajudar?

     Olá, meninas! Tudo bem?
   
     Não falei que ia tentar aparecer mais? Pois é, estou conseguindo, vamos ver até quando... ;) Estou numa fase beeem complicada em termos de trabalho, mas só nós que passamos por um perrengue-master sabemos que nada é mais importante do que nossa saúde... Então, por mais que fique ansiosa e/ou triste com certos acontecimentos, eu tento relevar e lembrar do que realmente é problema... 

     Mas hoje nem estou aqui para chorar as pitangas, estou aqui para dividir com vocês um pensamento. Vocês viram quantas pessoas se inscreveram para ser voluntárias da FIFA??? 14.000 pessoas. Nada contra, cada um faz o que quer do seu tempo livre. Mas pensei... Poxa, se essas pessoas têm esse tempo livre e estão dispostas a ajudar, por que não ajudar a quem realmente precisa?? Acredito eu que a FIFA possa pagar a todos esses voluntários e ainda sobraria dinheiro... 



     Sei que é um trabalho diferente, que tem a ideia de "participar de um grande evento", de "conhecer pessoas de vários lugares do mundo"... Mas acredito que o principal de se voluntariar é ajudar... Ou não?
E aí pensei, por que essas simplesmente não se dedicam a ajudar uma vez ao ano que seja? Ah, não sabe como? Vai na igreja, asilo, orfanato, hospital mais próximo e se informa do que precisam. Posta no Facebook que quer ajudar, doa sangue... DOA MEDULA. Quer maior ajuda do que salvar uma vida???? 

   
     Hoje nem quero me estender, mas vamos tirar o que esse espírito de ser voluntário trouxe e ajudar a quem realmente importa (acredito que não seja a Fifa...).

     Que tal começar pelo REDOME? Vamos lá... Se inscreve, vai...

     Muitos beijos e um ótimo domingo. E vamos sair de casa com um pensamento... "Já ajudei alguém hoje?"

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Medo, muuuito medo... E porque voltei.

     Olá, meninas!

     Dessa vez eu estava realmente beeeeem sumida. Foram quase 6 meses distante do blog, sem tempo para escrever nem 3 linhas. Sei que tinha prometido para mim mesma não ficar tanto tempo longe, mas o dia-a-dia corrido e a volta à rotina acaba nos afastando de tudo que passou... Todos me falam que é até saudável, mas me prometi que não ia sumir do blog para ser sempre a esperança das pessoas que começam nessa luta (estou vivinha e cabeluda após 3 anos e 3 meses da mastectomia!), então me desculpem por não ter cumprido a promessa, mas cá estou eu de volta. 

     Como vocês devem ter visto, nesse domingo começou uma série no Fantástico sobre câncer de mama. Fiz questão de ver, mesmo sabendo que ia sentir um turbilhão de emoções, de memórias e de sensações... Mas não achei que o "tlec" da biópsia fosse trazer taaaanto medo à tona. 

     Será que foi só o "tlec"?? Naquele momento, ao fazer a biópsia eu ainda era uma pessoa cheia de esperança de que não fosse nada... Poxa, eu sou jovem, não tenho nenhum caso na família, não fumo, não bebo, não sou obesa... E ainda ia à missa quase todo domingo, tratava bem crianças e idosos e ainda adotei um cachorro de rua... Por que ia acontecer comigo???

     Pois é... Aconteceu. E pelo que senti ontem, esse medo nunca vai sumir. Ele pode amainar, mas sumir, sumiiiir, estilo desaparecer, acho que não. E por um lado isso é ótimo... Sabe por quê?? Porque aos (agora!) 37 anos, aprendi que a vida é curta, imprevisível e que não temos absolutamente controle de nadaaaaa. E acho bom que você que está lendo também perceba isso antes que seja tarde.

     Está reclamando porque o trabalho está chato? Só depende de você mudar. Ou aceita ou sai. Reclamar não vai adiantar. Quer aquela bolsa maravilhosa de milhões de reais? Vai atrás se você achar que será uma mulher melhor portando uma. Mas será que ser uma mulher melhor depende de uma bolsa que você carrega? Fica a seu cargo esse julgamento. Não tem tempo de encontrar os amigos (e esse vai mega master blaster para mim...)? Quando você estiver sozinho numa cama (ou leito...), aí sim vai dar valor a cada uma daquelas risadas que vocês davam ao relembrar de tantas histórias... Não pôde fazer aquilo que você queria porque acabou fazendo algo que "esperavam" que você fizesse?? Vai de você e só de você saber o que realmente é importante. A sociedade pode querer um monte de coisas, só a gente sabe o que realmente é o que a gente quer.  

     Vou parar de escrever porque me prometi caminhar 40 minutos ao menos todo dia. Mas prometo que por mais que o medo de ter câncer de novo me assombre, jamais vou esquecer que quero ser feliz e leve em 90% dos meus dias. Que tal você fazer o mesmo? Assista o vídeo e reflita. O que realmente importa?

     Muitos beijos!!! 

     

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Se chorei ou se sofri...

     Olá, meninas!!!

     Tudo bem?? Comigo tudo caminhando. Acho que essa época do ano me deixa mais tristonha mesmo, mas vai passar.

     Esse ano foi o ano da mudança. Muitas coisas aconteceram, muitas transformações, reconhecimento, decepções, alegrias... Nem sei bem o que quero escrever hoje, mas vou sair colocando aqui... Como no Reveillon não pretendo mexer muito em computador, esse texto meio que fica como uma retrospectiva 2013, o ano da virada. 

     Começou tudo bem, achando que a vida ia mudar. Ia mudar de cidade, largar o Rio para trás. De repente, num telefonema tudo mudou. Não ia mais sair do Rio, não estava mais com aquela pessoa. Levei um susto, mas vida que segue. Da tristeza juntei forças e foquei no trabalho. 

     
     Voltei a trabalhar antes do que imaginava. Continuei na cidade que tanto amo. Conheci pessoas mais do que especiais. Voltei a ser médica. Voltei a estar do outro lado da maca, mas sem nunca esquecer o que passei. Não vou dizer que agradeço ter tido câncer, mas se ele me trouxe algo de bom, foi descobrir o prazer de escrever, me permitir ter um novo olhar sobre a vida (e a medicina) e  ter conhecido certas amigas que ficarão para sempre. 

     Aproveito esse texto para agradecer muito aos meus novos amigos de vida e de trabalho. Gostaria muito de agradecer à Debora, ao Luiz Eduardo e ao Severo por terem me dado a chance de recomeçar na medicina. Dois anos parada e com medo de levar tanta picada/furada/remédio tinham me deixado meio sem saber como lidar novamente com os pacientes, como mudar de lado de novo. Com a paciência e o carinho deles, voltei. Aos trancos e barrancos, mas voltei. Quero muuuuito agradecer também às minhas amigas enfermeiras que têm tanta paciência comigo e sempre me dão palavras de apoio no momento de chororô (ordem alfabética para ninguém ter ciúme né, Livia? rs): Audrey, Jessica Lima, Jessica Lopes, Juliana, Livia... Vocês nem imaginam como ter vocês por perto me faz bem. Entendi na pele o porquê de vocês terem escolhido a profissão do CUIDAR. Ninguém como vocês para cuidar tão bem de alguém. Só uma coisa a dizer a cada um de vocês citados: se ferraram, vou perturbar vocês pelo resto da minha vida. Lu, te adoro, disso vc já sabe. Amiga para a vida de inteira, dessas de infância e que ficam para sempre. 

     Ahá, e se vocês acham que a vida é feita só de trabalho... Nananinanão. Acho que esse ano teremos novidades no campo do amor (agora falei que nem astrológa!!!). Bom reencontrar pessoas que nos fazem/fizeram bem, mas que sabe-se lá porquê a vida separou. Bom reencontrar essa pessoa e ter maturidade para perceber o bem que ela me faz. E vamos ver no que dá. Mas como diz a filósofa Anitta (Ou escreve que nem o vermífugo?): "olha, você me faz tão bem... só de olhar teus olhos, BABE (quem chama alguém de baby, nesse meu Brasil varonil, MEODEOS?), eu fico zen..."


     E é isso... Começou uma meleca, terminou bem. Reconstruí o mamilo. E acho que essa fase cirúrgica acabou. Vida que recomeça, e sem trocadilhos, se reconstrói. E vamos ser felizes. Que venha 2014... #imaginanacopa #2014chegou... Aeeeeeeeeeeeeeee!

    Beijooossss!

domingo, 17 de março de 2013

Cicatrizando as cicatrizes.

     Olá, meninas!

     Quanto tempo, né? A última vez que passei por aqui foi para chorar a perda de uma das pessoas mais especiais que já conheci... Mas ela mesmo me ensinava que a vida segue... E farei o que ela me ensinou: seguirem com a vida...

     Esse ano tem sido bem difícil para mim. Muitas mudanças acontecendo, voltando a trabalhar, a entrar naquela fase de fazer exames, algumas perdas beeeem pesadas, masss... Não dá para ficar deitada em casa chorando, né? Quer dizer, até dá, mas um dia você acorda e vê que a vida está lá fora só te esperando para ser feliz.

     E hoje foi um dia desses. Acordei, estava sol, meio que querendo chover, mas resolvi que o dia ia ser diferente dos últimos que tinham passado, onde eu só levantava para ir trabalhar e resolver problemas, sem aquela vontaaaade de viver, sabe? Sabe quando você sai no automático por que precisa e não por que quer? Pois bem... Hoje algo mudou...

      Ao tomar banho olhei de uma forma diferente para a cicatriz. Há 2 anos ela está aqui. Mudou de cor, de tamanho, foi refeita, mas o significado dela sempre tinha sido o mesmo: "que m..., que saco, que pena de mim mesma... Tão jovem, com um corpitcho até nem tão ruim assim, agora com essa meleca enorme aqui no peito esquerdo..." E hoje, do nada olhei para ela e vi: "Caracaaaa, sou f... mesmo!!!! Passei por muita coisa nessa vida... Muita coisa fora essa doença que me fez crescer, evoluir, chorar, regredir, sorrir, sonhar... E estou aqui!" 

     Muita gente não precisa ter esse "rasgo" no peito (e o meu é beeem do lado esquerdo...Significativo, não? Não? Ahhh, para mim é mais um simbolismo no meio disso tudo...) para captar certas coisas, não precisou passar por esse perrengue para "enxergar" muitas coisas... Bem, eu precisei... E ainda bem que hoje consegui ver que essa cicatriz não é mais sinal de uma mulher frágil e que sofreu, e sim, de uma mulher SINIXXXXXXTRA (no significado mais carioca da palavra!). E como diriam "Os Avassaladores": sou F&%#@!!!!! 



     Beijos em todas!!! I´m back!!!! rsrsrs


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Novas novidades

     Olá! Beleza?

     Comigo tudo beleeeeza!! Depois de tanto escrever, dei uma sumidinha, né? Vocês entendem: semana de exames, mais exames e para completar, consultas! 

     Sério, quando a semana passada começou, achei que não ia aguentar, massss, aguentei e estou aqui para contar as coisas boas!

     Consulta com o onco e tudo beleza, volto daqui a 4 meses! :) Exames para a cirurgia, todos belezura! Estava em pânico, medo, temor, pavor, agonia e todos os sentimentos relativos a medo possíveis, com a radiografia de tórax. Visualizava várias lesões as mais bizarras, masss... NADA! Limpo, lindeza, pulmões maravilhosos! Aeeeeeeeeeeeeeeee! Eletrocardiograma OK, leucócitos chegando lá e risco cirúrgico dado com louvor. Tirei 8,0! Ah, vá lá, 8,5! Reprovei por ser hipertensa. Ah, vá... Meu colesterol tá meio altinho também, masss... Isso tudo muda para 2013 (como fazer exercício se estarei operada?)!

     Sim, operadaaaaaaaaaaa! Cirurgia marcada! Fui ao cirurgião plástico na 6a! Ele é o máximo! Super bom, super recomendo e super indico (momento blogueira afetada!), mas sério... Nem estou nervosa com nada da cirurgia... Sabem por quê? Porque confio nele cegamente. Se quiserem indicação de mastologista, cirurgião plástico e oncologista, só perguntar! Mas, voltando: farei a cirurgia no final de novembro! O expansor já está "preenchido" no tamanho que ele achou bom (e eu também!), já entreguei relatórios ao convênio (e agora é torcer para eles pagarem todo o material, simmmmmm, amiguinhas, porque eles falaram que vão avaliar o pedido... HA HA HA! Ai deles se não pagarem...), já comprei os sutiãs (aaaf, ainda não consigo escrever assim, prefiro soutiens, como sou fracesa! :P) e agora é esperar!

     Vou mantendo vocês informadas de tuuuuuuuuuuudo! Obrigada, mil vezes obrigada pela torcida e já peço para todas rezarem por mim! :)))) Muuuitos beijos!!!!!!


    

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Os intocáveis

     Olá, meninas!

     Vocês estão bem? Eu estou beleza! Ia fazer um exame essa semana, mas desmarcaram. Snif. Toda a tensão do exame teve que ser adiana junto com ele. Resolvi relaxar. Não matei a família e fui ao cinema, mas fui abstrair a cabeça e ver um filme.

     Durante a quimio, evitei ao máximo ir ao cinema. Era gente demais trancada num lugar fechado... Em alguns momentos devia ter mais gente do que leucócitos... Então, ou ia naquelas sessões beeem cedo ou não ia... Até que agora, com 3000 leucócitos já estou me achando a imunocompetente e fui ser feliz. Vi Os Intocáveis. Adorei!


     Não vou contar sobre o filme aqui, até porque acho muuuita maldade comentar e escapar alguma coisa sobre o final dele, mas ele me fez pensar muito...

     Claro que não vou comentar nada além do que já está nos jornais e sites, vou só situar quem não assistiu... Ele é basicamente sobre um tetraplégico e seu cuidador. Não estou falando para ninguém que estou na situação do tetraplégico, mas já tive momentos de depender totalmente dos outros, quer física, quer psicamente e nessa, você repensa muito sobre tudo. Me vi presa, me vi fraca, me vi sem saúde em alguns momentos e você reflete sobre o que realmente importa na vida.

     Engraçado que quando você vivencia a coisa, talvez para conseguir levar a vida adiante, você nem se dá conta de como está sendo forte. Mas quando você vê de fora (e mais uma vez friso, não estou me comparando em naaaaaaaada, mas ao ver um filme, com a musiquinha, com a historia...), você se dá conta de tudo que viveu e do que realmente quer da vida. O que eu quero é ser feliz. E a minha felicidade é tão simples: está num passeio coma  Nina, em conseguir andar de bicicleta novamente, dar uma risada, sentir o mar...

     E isso que é o que vale a pena na vida. Para que se matar de trabalhar, se quando a gente se vê num momento mais difícil da nossa vida, tudo que a gente quer é tão simples? E na maior parte das vezes beeeem baratinho? E sabe quanto custou o ingresso do cinema? 5 reais. Amo!

     Mil beijos e uma ótima semana!!! :)))

domingo, 30 de setembro de 2012

Tudo muda...

     Olá, meninas! Olha a hora que estou escrevendo nesse blog... MeODeOs! Fiquei louca! A insone escriba! Mas tudo bem, o que importa é colocar o que penso para fora e cá estou eu fazendo isso. Não importa o dia, a hora e a umidade relativa do ar... Escrever não tem hora. Ahhh, que mentira!!! Para quem passou pelas aulas de redação do colégio sabe que tem hora sim, tem número de linhas e palavras, quantos parágrafos... Tudo, tudo era milimetricamente calculado. Adoraaava escrever (percebe-se, né?)e até ia bem nas redações do colégio... Mass, uma redação no vestibular tirou o meu sonho (e eu lá sonhei isso...) de ter uma cadeira na ABL. Sim... Sarney pode estar lá, e eu não... O que um vestibular não faz com a gente, né? Mas tudo bem, aquele veludo verde não ia combinar com a minha cutis...

     Nossa! Como escrevi abobrinha. Juro para vocês que estou zerada, pura, purinha... Isso tudo vem da minha mente não tão sã mesmo (e sem ajuda de substâncias estranhas)... E tudo isso para introduzir o assunto emocionante de hoje: "Mudei eu, ou mudou o Natal"?

     Me senti assim essa semana, quando me vi engarrafada. Era uma coisa que eu estava tão habituada a fazer e que depois desse tempo todo de tratamento, me via fazendo de novo. Exatamente no mesmo lugar. E acho que é nesses momentos em que você se dá conta e realiza tudo que um diagnóstico de uma doença grave pode mudar na sua vida. Sim, porque só de ter tido seu nome associado à palavrinha dos in#&%$¨, de uma *&¨%$#, você já passa a olhar para a vida de uma outra forma. Um susto desses não é para os fracos não... Ah, mas não mesmo! Só os F_ D_S sobrevivem... porque forte é pouco para o que somos.

     Aí, no prazo de menos de uma semana me vi num lugar que há anoooos eu não ia. Vocês já estão achando que virei a intelectualizada, a filosoficamente falando sábia, um ser magnânimo e tive esse surto em pleno museu, jardins projetados por Burle Marx ou numa montanha elevada e com águas cristalinas, né? Mas, nããããããoooo... A clarividência ocorreu num surto consumista, na Babilônia Feira Hype.

     Sei lá desde quando eu não ia na Babilônia. Mas quando era mais XOvem, eu ia com as minhas amigas em todas as edições, PRECISAVA ter umas roupinhas que só tinham lá (super descolada eu, né? Eu e todas as meninas tínhamos as mesmas roupas, dos mesmos lugares... Ahhh, mas era da Babilônia... Uhuuu, não me visto em shopping...). Tá, daí a 5 dias essas mesmas lojas estavam abrindo em shoppings, mas eu continuava fazendo parte de um bando, de um grupo, era mais uma igual...

     Aí... eu cresci, amadureci e tive um câncer. Andei de lenço sem ser por estilo, estou de cabelo curtinho não por querer provar para ninguém que não me "vendo a essa cultura midiática", estou assim porque o tratamento fez isso comigo. E percebi que todos querem fazer parte de um grupo, de uma galera... As pessoas precisam se sentir queridas em um meio, não importa qual ele seja... E para isso precisam usar roupas dessa grife, estampas desse jeito, sapato daquele... E para conseguirem esses objetos de desejo ou "marcador de gado" que seja, elas se estapeiam, esquecem as regrinhas básicas de educação e vão à luta. Mesmo.

     E eu vi que isso tudo é tão ridículo. Olhei ao meu redor e fiquei um bom tempo observando de fora das tendas. Eu queria certas coisas, claro, sou mulher... E mesmo com um peito a menos, continuo tendo surtos de consumismo. O que não acho legal é não dar passagem para idosos, é pode passar na frente dos outros sem pedir licença, é não abrir espaço só porque... sei lá porque... PRECISOOOOO desse colar (que mais parece uma alegoria de escola de samba!), NECESSITO dessa calça (que mais parece que o marca-texto virou em mim...Não a canetinha, a fãbrica inteira!). Educação saiu de moda? Me avisem. Por que quero continuar fazendo parte de um grupo sim... o dos educados e daqueles que não precisam estar assim ou assado para serem queridos pelos outros. Afff, desabafo fashion hoje, hein?? :)

     beijos beijos!!!!!

    

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Engarrafando

     Olá, meninas! Tudo bem?

     Comigo tudo na mesma, nada absolutamente nada de novo. Por um lado é bom, sinal de que não há nada ruim no ar... :)

     Hoje peguei um trânsito daqueeeeeeeles. Como há muito tempo não pegava... Mas até aí, né? Notícia pegar engarrafamento no Rio num dia de chuva? Nadaaa... Antes isso não fosse o habitual, masss... Acreditam que até engarrafar mudou depois do câncer?

     Beeem, não fiquei maluca. Continuo achando  um saco das galáxias, fenomenalmente entediante ficar 2 horas trancada num carro, acho o fim dos tempos a gente perder parte da nossa vida enfiada numa lata de metal, masss... Se antes eu ficava louca, queria matar uns 20, agora aproveitei mesmo para refletir na vida. Não me estresso a ponto de ficar taquicárdica, acho chato, sim, mas até aí, já faço tanta coisa chata, né? 

     E vamos aos "Ensinamentos da Linha Vermelha" pós-câncer! (P.S. moro na Zona Sul do Rio e trabalho em um município da Baixada Fluminense, New Iguaçu... Pegava esse trânsito pelo menos uma vez por semana...aafffff! Já até desconfio um dos motivos para minhas células terem surtado...). Vamos ao que interessa. O que mudou...


- Antes eu enlouquecia ao volante. Xingava até o índio (e/ou português, italiando, japonês, africano) mais distante na linhagem do ser da frente. Agora, abro passagem e dou distância de gente mal-educada. E só. 


- Antes eu trocava de música enlouquecidamente. Ou ouvia rádio de notícias. Boechat que me perdoe, mas reclamar do mundo inteiro me cansou. Agora só músicas felizes. De preferência que dê para cantar bem alto e ainda bater os dedinhos no volante. Motoristas do lado: podem rir! Nem ligo mais.

- Antes eu só queria chegar. Hoje em dia, a não ser que eu esteja muuuuuuuito apertada (e continuo achando que minha bexiga tem GPS... Como ela sabe que a minha casinha está se aproximando cada vez mais e piora a situação do "aperto"?), vou vendo a paisagem. Não importa se a vista é feia ou não. Sempre tem algo novo para se olhar. Hoje vi os ferros expostos do Paulo de Frontin. Acho que ele precisa de ajuda. 

- Antes eu buzinava quando o motorista da frente jogava lixo pela janela do carro. Hoje eu buzino e mando farol. (Sujar a rua pode, o carrinho do ser, nananinanão...?) 

- Antes eu achava que estava perdendo tempo. Agora eu tenho certeza. Mas, que bom que estou viva para poder perder esse tempo. 


     E sem querer citar seguradoras, mas que a gente precisa ser mais gentil no trânsito, aaah, precisa! :) Ou melhor, na vida! Beijos em todas! E sem monóxido de carbono! :)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Menopausando...

     Olá, meninas!! Como estão??

     Eu estou bem, sem muitas novidades, graças... :) Digo graças, porque nos últimos meses minhas novidades sempre giravam em torno de febres, gripes, cistites, exames novos... E essa semana só tive uma cistitezinha básica. Então, tá ótimo... 


     Mass... alguma coisa contece no meu coração... E não é nada com a Avenida São João... Bem, com o zoladex+letrozol, entrei na menopausa. E que falta que os hormônios fazem, né? Sei que nem quero eles por perto, masss... Tanta coisa mudou... Mas para quem está passando pelo mesmo que eu... É normal, viu??

     - Minha pele está mais ressecada... e outras coisas também... rsrs

     - A gordura têm se acumulado em lugares nunca dantes acumulados. Antes eu engordava nas perninhas e nos braços. Agora vai tudo para a pancinha. 

     - Sono? Oi? Que isso? Ando com uma insônia bizarra. 

     - Mal-estar + aqueeeeles calores. Vem do nada, dá um mal-estar súbito, uma sensação esquisita, um "quase-desmaio", vem o calorão, suor... E passa! :) Essa é a vantagem! 

     - Outras coisitas aí... rsrsrs

     - O colesterol ruim sobe e o bom desce... ("bom xi bom xi bom bom bom... Todo mundo já conhece... O LDL sobe e o HDL desce..." ) - Affff, de onde desencavei essa música??? rsrsrs

     - Virei formiguinha. Se eu já era chocólatra, a coisa ficou feia... Sabe vício? Memso, nível ter abstinência? É, acontece isso... Fico louca se der vontade e não tiver chocolate por perto. Pelo menos estou louca assim só por chocolate e não tanto por qualquer doce... Ufa!

     - Mas, como tudo tem a parte boa: economia de absorventes, sem cólicas e zero TPM. Ahááá, virei a mulher quase perfeita! E modesta! 


     E sim, apesar dos pezares, está tudo sempre bem! E que os próximos 4 anos (aháááá, já vai fazer um ano que acabei as quimios...lalalala) passem rápido! :)

     Beijos e um ótimo feriadão para todas!!!

    

    

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ia falar sobre coisas boas...

     Olá!

     "Ói eu aqui traveiz"... Estava me arrumando para tomar o Zoladex. Toda serelepe, pensando sempre: é menos uma! E tô meio maluca, sabe? Penso no que escrever no banho, no trânsito... Estava feliz, mesmo mega resfriada, e pensava em algo mais contente para colocar aqui. Tinha percebido que o blog estava numa "pegada" meio auto-ajuda e detesto.

     Enquanto tomava banho fui lembrando dos momentos engraçados que tive nisso tudo. Desde os primeiros momentos careca, me virando com os lenços, peruca, maquiagem... até certos exames. A gente aprende a tirar leite de pedra mesmo. Ri sozinha. Até que...

     Meu querido Itaú me manda o saldo da minha conta. Olha, pessoas com câncer deviam ser proibidoas de ter acesso a assuntos financeiros. Ou não, se você preferir morrer infartada. Se mês passado o INSS não depositou meu dinheiro, esse mês resolveram descontar um mundo de coisas dele. Como assim?

     Decretei falência. Legal, né? Meus leucócitos não sobem (agora foram para 3000, mas estava com febre...), não consigo trabalhar para ganhar melhor, o INSS desconta mil coisas e a prefeitura para onde trabalho vai descontando mais e mais. Nada contra, mas por que grávidas não têm desconto nenhum, e eu com câncer, tenho? Por acaso eu escolhi ficar doente? Nunca fumei, bebi muuuuuuuuuuuuito pouco nessa vida, não era a mais sedentária do mundo, sou magra (e sempre fui), nunca usei drogas... E mereço pagar por isso?

     Bem, ia falar sobre coisas alegres, mas com a conta no vermelho e cheia de conta a pagar ainda, difícil ser Pollyanna. Foi mal aê... Beijos!!!!!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

É gripe? Simmmmm!

     Olá!!! Tudo bem?
     
     Conforme prometido, tenho voltado pelo menos uma vez por semana! Juro que vou tentar manter essa frequência e não abandonar vocês! :) É que a vida vai voltando ao normal, aqueles medos absurdos vão dando lugar a outras coisas e, graças a Deus, o câncer deixa de ser o centro da nossa vida! (E que continue assim!!!)

     Esse sábado eu tive uma prova na pós que inventei de fazer. Foi engraçado sair de casa sozinha, morrendo de ansiedade e não ser nem para tratamento, nem para exames, muito menos para consultas. Fui tensa, até que refleti bem sobre tudo que eu tinha vivido, passado e agradeci muuuito por estar tensa por estar fazendo uma prova! Não que ficar tensa seja bom, mas poder me preocupar com algo diferente, foi ótimo. 

     E escrevo isso aqui, porque acho bem importante para quem está no meio do tratamento, saber que a vida volta ao normal sim! Quando a gente está no meio do furacão, acha que ele nunca vai acabar... É que nem levar um "caldo" no mar. Quando você está no meio da onda, e ela te levando para um lado e para o outro, você não sabe onde é céu, onde é chão... Masss, aí levanta, e vê que sobreviveu e fica felizzzzzzzz! E hoje eu estou mega feliz por estar deitada, com febre, com  um rolo de papel higiênico do meu lado, três remédios diferentes, masssss, nenhum deles é ruim como a quimio! Então? tô feliz!!!!!!!! Gripe? Ahhh, tiro de letra! E tudo mais! Que isso que eu passei (e que você está passando), sirva para a gente nunca mais se preocupar com besteiras por mais de 5 minutos! :) 

     Atchin!!!! Uma ótima semana! Beijos beijos!!!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Medinho bom...

     Olá, meninas!

     Como falei, ando mais sumida, né? Ainda estou fazendo o Zoladex + Letrozol, esperando os leucócitos subirem... Masss, dessa vez o medinho nem é relacionado ao câncer! EEHHHHH!! Quando eu achei que ia dizer isso: ter medo é bom!!!!

     Vocês acham que eu surtei, né? Nada! É que já estou chegando a 1 ano e meio onde meu único medo era relacionado à doença. Quando me vi preocupada com outra coisa, fiquei até feliz. E hoje resolvo parte desse medo: vou para a reunião da monografia da especialização em geriatria. Já fui em várias reuniões dessas, mas essa está com uma sensação de que tudo é novo. Engraçado como realmente minha vida parece estar divivida em AC e DC: antes e depois do câncer. 

     Claro, que nenhum medo vem fácil assim. Acho que por causa do nível de estresse atingido com o diagnóstico, tive síndrome do pânico e depressão. Ainda estou tratando, mas com grande melhora. Impressionante como tudo muda. E minha forma de enxergar a vida mudou tanto, que encaro tudo. Com um certo sofrimento, mas encaro. E tenho certeza que se venci um câncer, o resto vai fácil também.

     A sensação que tenho é que cada dia é um dia, não vivo mais a longo prazo. E cada dia encaro como um desafio novo. Para hoje. E assim fica mais fácil viver. Aprendi muuuuito com isso tudo. Já encaro que tive isso para mudar minha vida e para ter um novo propósito. Sinto que mudou até minha forma de ajudar os pacientes. Tenho certeza que virei um ser humano melhor. De verdade. Estou só tentando focar minha missão. Mas que quero seguir com esses medinhos, ah quero. E que hoje dê tudo certo. Amanhã será um novo dia. :) beijos! Torçam por mim! :) Ótima semana para todas!!!

sábado, 11 de agosto de 2012

Superação vale ouro!

     Olá!!! E hoje eu bato o record mundial de mim mesma... dois posts num dia só!!!

     Estava mega desanimada, beeeeem triste mesmo com alguns comentários infelizes de pessoas idem... Masss, como tudo na vida passa e Deus nos mostra e dá sinais de que a vida é bem mais do que isso, optei por ficar em casa curtindo minha depressão, até que começou o jogo de vôlei da seleção feminina.

     Guardadas as devidas proporções e situações, nem quero me comparar com campeãs olímpicas no esporte que seja. Tenho 1,62m, sou beem baixinha, acho que só conseguiria ser ginasta, mas com a minha flexibilidade e equilíbrio não iria além do campeonato do andar do prédio. Pois bem... E qual a lição que tiro disso tudo? (Simmm, porque depois de um câncer você passa a tirar lições até do bom dia mal dado, da porta não segurada no elevador, da fechada no trânsito...).

     Bem, elas começaram mal na competição. Eu tive câncer. Muitas pessoas não acreditaram nelas. Muitas pessoas se afastaram de mim. Elas ouviram muitas críticas. Ouvi muitas besteiras. Elas erraram em algumas situações. Também errei em várias. Elas se uniram. Eu me uni à minha família. Elas aprenderam a ouvir. Eu aprendi a enxergar. Elas se superaram. Eu descobri em mim uma força que jamais pensei ter. Elas venceram. Eu venci. É ouro para todas nós. Aceito o meu em forma de brincos, anel, pulseira ou colar, tá? Medalhas não combinam com meu estilo. :P

     Beijos e parabéns, meninas do vôlei!!! Obrigada do fundo do coração por terem trazido alegria para meu sábado que começou triste. Sei que provavelmente vocês nunca vão ler isso, mas fica aqui o meu MUITO OBRIGADA!!! E mais um parabéns!!!!!!!!!!