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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Crescemos e viramos site!


Olá, meninas!!

     Tudo bem?


     Outro dia recebi um email de uma leitora (aaai, como me acho chique!!!) perguntando se eu estava bem... Primeiro fiquei mega feliz por saber que faço falta (ainnn) e depois fiquei contente por isso ter me lembrado por precisava avisar a vocês que parei de escrever aqui não porque passei dessa para melhor ou porque abandonei minhas amigas de luta, mas sim porque, junto com outras meninas, evoluímos e viramos um site!!!

     É um site que nasceu a partir deste bloguinho e da ideia de divulgarmos angústias, experiências, medos, tratamentos, vivências e afins para mais e mais meninas que estão passando, passaram e/ou cuidam de familiares/amigas que estão passando por qualquer tipo de câncer...

     Deixa eu parar de bla-bla-blá e ir direto ao ponto: agora escrevo lá! Tento escrever com uma frequência razoável, para continuar mostrando para vocês que há vida sim após o câncer, mas nem sempre consigo... Mea culpa

     Então, se você gostava dos textos daqui, entra lá! Os meus textos antigos continuarão aqui no meu primeiro filho, afinal, sou apegada... Mas os novos já estão no site...

     E afinal, qual o site?

     http://meninasdepeito.com.br/

     Seguimos lá lindas e belas (e simpáticas, inteligentes e modestas!). Ahhh e ele é colaborativo! Quer escrever? Dividir sua história? Só entrar em contato!

     Muitos beijos!!!!



domingo, 5 de junho de 2016

CID F33.9 ou... Transtorno depressivo...


Olá, pessoal!

     Como andam? Ia falar que estava meio sumida, mas como antes eu estava bem mais, estou semi-sumida, vai...

     O motivo pelo qual eu andava desaparecida eu meio que expliquei no outro post sobre depressão, mas parece que muitas pessoas não conseguem entender o que essa doença (simmm, é uma doença!) faz... Então, resolvi fazer (mais um!) manual. Acho que os seres humanos gostam de manuais, apesar de saber que ninguém os segue na maioria das vezes, ter aqueles passos a seguir parece dar uma sensação de “se eu fizer isso, tudo vai dar certo...” Enfim...


     Mas como eu quero ajudar você a me ajudar, segue o:
 "Manual do que não dizer/pensar para uma pessoa com depressão":

- “Nossa, mas você está tão bem!” – você não imagina a que custo eu tento demonstrar isso. 

- “Ahhh, pelo menos você emagreceu” – que delícia, né? Passar um dia inteiro e só conseguir comer forçado um pedaço de torrada realmente é o que chamo de “orgia gourmet”. Acho que existem formas mais saudáveis de se emagrecer... Ter depressão e ser por hiporexia (dá um Google...) não é uma delas.

- “Ué, mas te vi rindo...” – Depressão não quer dizer que você tenha que estar chorando o tempo todo. Por sinal, eu que era uma chorona nata, diminuí até minha capacidade de me debulhar em lágrimas. A vida ficou cinza. Simples. E triste...

- “Mas você tem um namorado ótimo, uma família feliz, onde morar, trabalho, amigos...” – Depressão também não diz respeito ao que conquistamos/temos na vida. Nem é culpa de ninguém. Aconteceu. E não foi porque me decepcionei com nada.

- “Dá a volta por cima, vamos, sai de casa, vai passear!” – esse eu sei que é na melhor das boas intenções, mas tem vezes que simplesmente não dá. Não é simples assim sair de casa. Ouvi isso uma vez e repito aqui: você insiste para alguém com sinusite andar de bicicleta? Depressão também tem seus dias de pico... Tem dias que simplesmente não dá. Mas obrigada por tentar...:) Uma hora vai...

- “Depressão? Seeei, te vi viajando e tudo...” – da mesma série “só eu sei a que custo foi...”
E vocês sabem o “mundo do faz de conta do Facebook”? Também faço parte...

- Por falar em Facebook – “Mas vi fotos em que você estava ótima lá”  - quer que poste as fotos do momento fossa-mater-blaster-ultra-high-power-mega?? Posso postar. Mas quero ver quantas curtidas vai ter...:)
 
- “Se está tão mal assim, como ainda trabalha?” – reduzi a carga horária. Para cada hora em que vou trabalhar, parece que trabalho 24hs. Assim, consigo continuar e seguir sobrevivendo. Aprendi (mais uma vez!) que precisamos nos respeitar, saber nossos limites.

- “Ahhh, mas tudo que você está falando, eu também sinto” – Que droga. Caso você realmente esteja sentindo isso, também procure um Psiquiatra. Ele vai te ajudar como tem me ajudado. 

Viram? Já até consigo escrever aqui...:)

     Bem, pessoal. Podem achar que me exponho muito falando sobre ter depressão. Mas falavam a mesma coisa quando eu tive o câncer e escrevia aqui. Hoje, o blog deu frutos, me rendeu ter grandes amizades e gerou algo que é ainda maior que ele, o grupo Meninas de Peito, no Facebook (o mesmo onde todos são felizes...hehe). Somos mais de 3700 meninas que se ajudam mutuamente e volta e meia ainda se encontram ao vivo para festejar a vida. Então, que esse post sobre depressão ajude não só a mim (adoooorooo desabafar escrevendo), mas a pelo menos mais uma pessoa que não estava sabendo como por para fora as respostas que estavam na ponta da língua, mas que a “falta de força” não deixava sair. Já vai ter valido a pena.



Que isso passe logo.
Beijos e obrigada pela força que todos têm me dado.


E teve post mimimi/rancoroso sim... E se acharem ruim, crio o Meninas da Serotonina. 

domingo, 1 de maio de 2016

Um dia após o outro...

Olá, meninas!

     Estava sumida mais uma vez, né? Mas dessa vez o motivo foi mais do que só trabalho... Fiquei doente... Mas, calma! Não tive recidiva, nem metástase. Parece que depois que você tem câncer, a única doença que você pode ter é... Câncer... Mas não, estou tratando uma depressão mesmo.


     Engraçado como demorei a assumir que estava deprimida. O câncer pareceu ser mais simples, dentro de toda sua complexidade. Achei um caroço, fiz biópsia, mastectomia, quimio, Herceptin, reconstruções e mais alguns anos de Letrozol e Zoladex... E vida segue. Com a depressão, não... 

                                            (Vai que alguém não acredita que passei por essa bagaça...)

     Parece que ela veio sorrateira... Foi minando primeiro meu sono, passou para a alimentação, alterou minha vontade de sair, chegou ao cúmulo de ser difícil sair da cama. Era ir para o trabalho com a sensação do mundo estar todo cinza e com um saco de cimento nas costas e voltar para casa o mais rápido possível...

     E aí vieram as sensações e desculpas as mais variadas... É a fase no trabalho, é a crise no Brasil, é a época de fazer exames, é ser próximo à data de morte do meu pai, é que a comida está ruim, é porque o céu tem estado mais nublado mesmo... Enfim, fui empurrando, empurrando... Até que..

     "Acho que estou mais triste do que o normal", "tenho estado chata, melhor ficar mais quietinha na minha até isso tudo passar"... Mas o estalo veio mesmo foi quando eu vi um pote de Nutella cheio na prateleira e nem consegui comer uma colher inteira. Era grave mesmo.
<3 Nutella mais uma vez salvando minha vida. Ela não precisa nem entrar em mim... Linda. 


     Mas aí que entra o pós-venda do câncer...  Porque aí você começa... 
Mas, carai... Em 2016 eu completaria os tais 5 anos (que saíram de moda... Eles não querem mais dizer nada...), era para eu estar feliz e saltitante... Não conseguia.

     Você está achando a vida sem graça... Mas você lutou tanto por ela... Não conseguia.

     Praia? Nem pensar. E olha que tentei. Sem chance. O mar não ficava azul. O céu era cinza. Mesmo em dias de sol... Não conseguia.

     Veio a culpa. A tal interpretação da culpa católica. (Papa Francisco, onde o senhor andou quando eu estava no catecismo?). Deus vai ficar decepcionado comigo (Oi? Marina? Alô? Deus decepcionado com você? Acoooorda! Calma, gente! Eu estava em semi-surto!) por eu estar triste e não estar totalmente grata por estar com a saúde tão boa assim... E aí no delírio cristão em que me encontrava, Maria, José, Santa Rita, Santo Expedito, Santa Therezinha e toda a galera iluminada lá de cima também devia estar super magoada comigo... Vai entender o cérebro de um deprimido... E eu tentava ser racional, mas... Não conseguia.



     Comecei a tentar sair. Não conseguia.

     Ligar para as pessoas... Não conseguia.

     Fazer compras. Não conseguia.

     Foi virando um acúmulo de "não conseguia". Até que consegui marcar a Psiquiatra indicada pela minha linda, maravilhosa e perfeita mastologista. Ah, detalhe. Só consegui ir nela porque uma amiga/irmã de trabalho foi comigo. Se não... Vocês já imaginam, né?


     E cá estou eu. Em plenos 5 anos após o fim da parte mais "trash" do tratamento do câncer, sobre o qual eu falei tanto, tentando ajudar a quem estivesse passando por essa bagaça, me abrindo mais uma vez e falando de depressão. Já estou completando 30 dias de medicação e o céu está começando a ficar azul, o chocolate tem começado a ter gosto e consegui até sair pelo Rio (Valeu, Dea!!! A primeira a me aturar no comecinho do tratamento!) ir em show com multidão (Valeu, Gu!), viajar (Valeu, Flavita!) e voltar a comer e sorrir (Valeu Maria, Maria Fernanda e Veronica!

     Sei que é engraçado como doenças psiquiátricas ainda são um tabu ainda maior que o câncer. Como as pessoas escondem o que sentem. Como demoram a buscar ajuda e o profissional certo... Espero que consiga contribuir de alguma forma e dar força para quem quer que esteja passando por algo similar, consiga buscar ajuda. Ter câncer realmente é uma m... Mas ter tido câncer e ainda ganhar como cereja do bolo esse estresse pós-traumático, é uma baía de Guanabara inteira... 
Mas 'vambora ser feliz. Na hora certa, no tempo certo. Um dia após o outro. 


Beijos em todas.
P.S. Escrever esse post teve um significado enorme de recomeço para mim. Porque agora, eu consegui. <3

Obrigada do fundo do coração aos que torcem por mim. Aos que não, paciência. Rezo por vocês também. <3

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Ahhh, vai para a... Ressonância...

Oláááá...

     Tinha tempo que eu não passava por aqui, né? A última vez foi em agosto de 2015 e de lá para cá eu andava meio envolvida demais com o trabalho...

     Rolou até outubro rosa e eu nem passei por aqui... tsc tsc...

     Masss... Aí, chega a hora dos exames de revisão e volta à nossa mente tudo aquilo que a gente passou e um momento em especial me faz refletir profundamente por tudo o que eu passei... A c*#&@ da ressonância...

     Era para eu já estar acostumada com ela... Afinal, desde 2011 fazendo umas 2x/ano (fora a de crânio e coluna cervical que rolou no meio do caminho...), fiz umas 10... Já praticamente decorei a ordem do "tra..tra...tra, pinhoin, pinhoin, dadadada, papapapa...", mas mesmo assim, ainda odeiooooo esse exame...



     Não que broncoscopia deva ser legal, colonoscopia seja maneiro, até a ultrassonografia transvaginal é beeeeem chata, mas a ressonância... Ahhh, a ressonância...

     A de hoje foi desses exames que já nos fazem refletir e agradecer por não precisar disso mensalmente... Hoje ela foi especialmente chata e com requintes de crueldade... Daí o título. Que mané mandar a pessoa para a PQP... Lá é mais legal... RNM é o que há. Último grito nos xingamentos.

Vamos aos fatos:

- ela estava agendada para janeiro - quebrou o aparelho na unidade em que sempre faço e nunca mais foi consertado... Agendaram para depois do carnaval em outra unidade e... No dia agendado me enrolei no trabalho e tive que desmarcar... (primeira vez em 5 anos...)

- Consegui agendar para hoje, no fim da tarde... Odeio fazer exames que exigem jejum no fim da tarde... Sabendo que nunca consigo almoçar, o jejum que era para ser de 3 horas, vira de quase 12 hs...:( E tome de mau humor...

- Como já tenho carteirinha vip das clínica de exame e sou garota-carioca-marota, já sei das manhas dessas clínicas... Marcou exame para o fim do dia? Lascou-se... Aqueles atrasinhos de 5 minutos ali, 10 minutos aqui, foram todos somados e chegaram às 2 horas no fim do dia...

- E sabe aquele jejum de 12 horas? Virou uma 6a feira Santa... jejum de quase 24 horas... Próxima vez aproveito que isso vai acontecer mesmo e purifico minha alma junto...

- Aí você corre no trabalho para tentar chegar na clínica... Não rola estacionamento, banco a Angélica... Taxista erra o caminho... Pego trânsito... Mas como em época de exame me sinto como se fosse pular de paraquedas (sem o mesmo!), a ansiedade grau 10 me faz seeeeempre tentar chegar mais de 1 hora antes, até que consigo chegar na hora...

- Sabe aquela história de ser marota? Cumpre-se a profecia... "Senhora, a ressonância vai estar atrasando em 1 hora..." Amiiiiigos, para eles me avisarem, no fuso-horário dessas clínicas, 1 hora equivale a 120 minutos... (meu estômago resolve digerir o pâncreas com essa notícia... A auto-fagia gástrica já havia rolado no trânsito)

- Tiazinhas todas enlouquecidas (Jejum, compreendo tudo...) começam a reclamar com as tiazinhas enlouquecidas da recepção... E eu só pensando... "não posso ficar doente de novo", "preciso de um copinho d´água", "quem inventou de jejuar nesse calor dos infernos",  "não posso ficar doente de novo", "por que todo mundo está com essa carinha de calma com o pedido de ressonância de joelho, enquanto eu estou semi-histérica?", "não posso ficar doente de novo", "que inveja dessa mocinha que vai fazer um exame do ombro",  "não posso ficar doente de novo"... E o pensamento passa a ser obsessivo... Tudo passa a ser um sinal de que..."não posso ficar doente de novo"

- Fui finalmente chamada... Entrei na cabininha, recebi aquele olhar da radiologista "por que cargas d´água essa XOFEM (nem tanto...) está fazendo ressonância...?" "por que não fez mamografia antes?", respondo pela milésima vez o questionário... Topo de boa o contraste... "Em que ano fez a cirurgia?", "Algum caso na família?", "Fuma?" (Nooossa, uma radiologista lembra que existe História Social e Familiar...rsrs Radiologistas me amarão agora...) "não posso ficar doente de novo"... E tchau, beijo. Vem a técnica me dar bronca porque minhas veias sumiram... Ah, sim... Eu fiz um treinamento incrível especificamente para sacanear técnicas... "como sumir com suas veias quando você desejar". É tipo uma auto-flagelação, sabe?  Assim eu serei picada umas 4, 5 vezes. Além do jejum, agora curto levar furadas... Sabe hobbie? O meu é esse... Jejuar e ser furada...

- Entro no recinto na temperatura da Sibéria... Canadá... Antártica... Somados... E com aquele aventalzinho humilhante... Deito naquela posição que só quem já fez ressonância de mamas sabe qual é... (Sabe o Super-Homem?) e lá vamos nós... "Deseja cobertor?"... Não querida... Faz parte da auto-flagelação congelar depois do jejum e das furadas... E você enfia sua cara num "protetor de cabeça" especificamente desenhado para alemães de 2,00 m de altura... Resumindo, sua cabeça não encaixa e você fica toda amassada... e... "não posso ficar doente de novo".



- Começa a rave... Aquele protetor de ouvidos não protege nada, só serve para apertar mais a sua cabeça... Começo criando músicas com aquele barulho, passo para umas 5 "Ave-Marias, 3 Pai-Nossos e umas 2 Salve-Rainhas"...  "não posso ficar doente de novo" - "Não respira, senhora..."
Oi??? Não respira? Ficar sem comer tudo bem... Sobrevivi... Sem beber água... Vá lá... umas 5 horinhas... Mas sem respirar?? Que p... é essa???? Modéstia a parte... Já sou craque em ressonâncias, respiro superficialmente que é uma beleza... Mas, essa era a ressonância da alegria... Aquela que me faria mudar minha forma de xingar os outros no trânsito... (hehe).

- "Senhora, a senhora vai sentir um geladinho..." blablabla... Já sei... 'vambora receber o geladinho... POOOOW, veia não deu conta... (fez parte do treinamento... "Veia, quando o contraste for injetado, exploda!"). Banho de contraste (É muito legaaaal...!). Aperto a perinha... "Me chamou?" É assim mesmo... (e de novooo esse papinho se repete... Para que falam para a gente apertar, se quando a gente aperta não acreditam que a gente está precisando...?). Mesmo que fosse por piti infectado... É meu direito ter piti... Foi mal os donos da clínica marcarem 72672386 ressonâncias/minuto e vocês não poderem perder um minuto... Eu não posso congelar e ainda tomar um banho de contraste...  "não posso ficar doente de novo"...

- Voltamos ao exame... Mais pipipi, poin poin poin, tatata, tadatadatada, trec trec trec e vento na bunda... Depois de acertar o acesso, eu não poderia querer tudo, né? Ela não cobriu minha perna direito e o cobertor subiu... Foi ótimo... Parei de pensar  "não posso ficar doente de novo" e só pensava, minha bunda congelou. O povo todo da sala de exames deve estar olhando a minha bunda... Que saco, com fome, sede, frio e agora com vergonha da bunda de fora...

- Enfim, o exame acabou... E... Sabe aquela radiologista falante e inquisidora do começo do exame? (Até pedir para ver a cicatriz ela pediu!)... Pois é... O lado clínico dela só ia até às 18:45... Nem respondeu ao meu "deu tudo certo?"  ("não posso ficar doente de novo") e cá estou eu... Sofrida, traumatizada e ansiosa por mais 7 dias para receber esse laudo...

     Que assim seja por mais 5 anos, por mais 10 e por mais 50... Deus queira que eu ainda tenha muitas ressonâncias para fazer...



     E a parte boa desse momento em que você fica sozinha, tão sozinha com você e seus pensamentos (tudo bem, de bunda de fora e presa), é que você reflete sobre a real importância da vida, de como precisamos ser gratos por tudo que temos e podemos fazer...

     Obrigada, Senhor, Nossa Senhora (de Fátima, das Graças), Santa Rita, São Vicente de Paulo (meu mais novo amiguinho)... Obrigada por eu poder sair de lá andando, comer, beber e escrever esse tanto de besteira...  "não posso ficar doente de novo" - e que essa ideia fixa saia da minha cabeça a partir da semana que vem... E só volte nos próximos exames de revisão...

     Ah, só mais um pedido? Criem uma ressonância mais silenciosa e rápida, por favor... Obrigada, de nada. E quem puder, torce, reza, ora, para que meus exames estejam bons... Obrigada de verdade.

Beijos em todas.
E quem não gostou... "Ahhh, vai para a Ressonância..." rsrs (brincadeirinhaaaa!)

domingo, 30 de agosto de 2015

Sobre o medo de morrer, insônia e uma vizinha cult...

Olá, pessoal!

     Hoje é sábado, não trabalhei, fui comer meu pain au chocolat no meu cantinho preferido de Copacabana, andei até o Leme, bairro que tem cheiro e memória de infância, e estou naquela dúvida se leio, escrevo, faço o trabalho do curso que estou fazendo ou se passo a noite fazendo ssssshhhhhh para a nova vizinha que acha que só porque ela toma vinho e ouve jazz, eu preciso compartilhar do barulho dela e dos amigos às 23:35... 

                                                         (Minha vizinha pensa assim)

     E o que essa introdução quer dizer? Nada! Resolvi que escrever no blog era o melhor a fazer, até porque estou com a insônia básica que algumas vezes tenho após o Zoladex. Sei lá se é, mas tudo que sinto nas duas semanas seguintes, ponho a culpa nele. Até a vontade enlouquecida de comer Nutella é culpa do Zola (não é o Émile...). E vambora escrever (e fazer sssshhhhhh! No momento ela passou do jazz para Alanis Morissette - uau super cult - uau2 - Alanis foi na numeróloga? Para que tanta letra repetida, senhor?). Volta. 

     Ando pensando muito em morte ultimamente. Não que eu esteja com ideias suicidas, mas porque estava fazendo uma limpa no meu FB e vi quantas meninas tiveram câncer e morreram desde que comecei o tratamento. E, cara dá um frio na espinha pensar que aos 38 você conviveu com tanta gente que já morreu. Isso era para acontecer lá pelos 80 hoje em dia, "carai"... Aos quase 40? Ui...

     E aí tive um papo com um carinha e percebi como ter passado pelo o que eu passei (e passo) me fez ser diferente. E como isso de certa forma impactou na minha vida como um todo. Se foi para pior ou melhor, ainda não concluí, mas vi que não sou mais a mesma.

     Mimimi de fulano não me ligou? Não me convidaram para a festinha? Todos viajam 10x ao ano para Europa/Polinésia/Dubai e eu não fui mais nem para Paquetá? Meu carro vai fazer 4 anos e o pneu está quase careca e o limpador de parabrisa "deu ruim"? Isso realmente não me estressa mais. Ciúme por exemplo, foi um sentimento que foi abolido do meu cardápio de sensações. Foi o câncer? Não. Ele não merece esses louros todos. Mas acho que foi sim, a percepção de que a finitude existe. E ter tido essa clareza aos 33 foi libertador, por pior que tenha sido o susto.



     Já escrevi aqui antes e desculpem se pareço repetitiva, não fiquei louca de ser grata por ter ficado doente. Nunca. Continuo com medo de ter metástase até quando a unha encrava. Todo dia acho que essa tosse/falta de ar é "aaai, pegou o pulmão", mas eu realmente acho que ter tido a chance de nunca mais me preocupar com babaquices aos quase 40 foi algo legal que pude tirar dessa bagaça toda. 

     O medo de morrer ainda aparece. E engraçado, mais ainda quando tem turbulência no avião. Vai ver sempre tive uns medos doidos, e só agora, estou deixando-os aflorar. Ótimo. Quando a gente sabe o que nos amedronta, sabe como encarar. E o câncer até nisso me ajudou. Mas, agradecer, aí não... Fiquei com menos mimimi, mas não maluca. Ou fiquei? :p

     Beijos em todas! Bom domingo. O meu promete. Porque a festinha está animada. E isso é só o começo... Estão discutindo E o Vento Levou ao som de Los Hermanos... A vida sempre pode piorar, viram? rs

     P.S. e até o final deste post eles passaram a fazer mais do mesmo: Ouvindo " Love me, love me, say that you love me..." E discutindo Game of Thrones. É, o lado cult ficou na 2a taça de vinho... Até o fim da noite estarão discutindo o final da novela e ouvindo Anitta (ou Ludmilla... É HOJE!).

P.S2. E enquanto eu dava aquela relida por alto no post, a vizinha de outro andar interfonou e colocou ordem na casa. Isso aqui é Copacabana, pô! Não é bagunça! (Apesar de dizerem o contrário... Vide Reveillon, Shows, Maratonas, Aneis Olímpicos, mas não aqui no Bairro Peixoto! Aqui é respeito. Ou não...)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Viver dá...

Olá, pessoal!

     Tudo bem? Para variar, sumi... Mea culpa, mea maxima culpa. Mas podem reparar, não sou um pontinho fora da curva... Quase todo mundo dá aquele sumiço dos blogs quando acaba o período mais crítico da doença... É triste, é ruim, eu mesma tinha raiva disso, mas... Acontece.

     Acontece, por mil motivos. Porque você dá uma cansada de tantos "oncoassuntos", porque você volta numa de tentar recuperar o tempo perdido, porque você volta ao trabalho e ele acaba te sugando... Enfim, você some. Não é legal. Mas, é o que ocorre na maioria dos casos.

     Hoje, por exemplo, só estou escrevendo aqui, porque tive um semi-piripaque no meu emprego 1 do dia (simmmm, porque médico nesse Brasil varonil tem uns 10 empregos... Mas... Não vou entrar nesse mérito. Não é o foco por aqui...), e vim para casa mais cedo... Não ache que é fácil assim. Foi preciso o piripaque se iniciar ontem, eu trabalhar hoje e ver que não tinha a menor condição de pegar a Dutra, para, cheia de culpa, não ir ao trabalho hoje... E detalhe. Neste emprego estou num processo de adaptação. Que de adaptação não tem nada. Mas, enfim...

     E aí a gente se pergunta. Por que se cobrar tanto? Vejo gente que nunca teve nada de mais grave faltando porque teve um resfriado. Acho que sempre me cobrei e agora, ao invés de relaxar, estou me cobrando ainda mais... E? Nada. Não estou conseguindo mudar isso. Fico devendo... Para 2016...:)

     Outro ponto... Quando estava no meu momento piripaque, vem uma vozinha dizendo... "Você teve câncer, não pode se estressar assim..." - Ô, carai... Se eu me estresso, câncer. Se eu guardo, câncer. Se eu comer alface, cuidado! Agrotóxico! Câncer. Orgânico? Água que lavou a rúcula, tinha hormônios, câncer... Resumindo... Viver dá câncer. E só em mim, né? Você que fuma, pega 3 horas de engarrafamento, come MacDonald´s 2x/semana, não faz uma atividade física, se estressa ouvindo rádio, lendo jornal e vendo TV à noite, está tudo bem, né? Vai virar semente, fof@? Morrer todos vamos, para de me "agourar". Ainda vou virar a "véinha" da foto...



     Resumindo. Vim aqui para um momento-desabafo. Porque vi que não mudei tanto assim depois que fiquei doente. Que a vida voltou a ficar mais ou menos como era antes... Com dois adendos: agora me pelo de medo de ter recidiva, então até unha encravada é motivo de pânico e quando estou no auuuuge do estresse, lembro do cabelo caindo, dos "baldinhos de enjoo" e vejo o que realmente importa. Obrigada por ainda ter esses momentos de lucidez, Senhor. 

     E para as que reclamaram do meu sumiço. Não é por mal. É trabalho demais mesmo.
Obrigada pela compreensão. Volte sempre. 
Beijos!!!

P.S. Um alento para as meninas que estão no meio da "bagaça": sou a prova viva de que a vida volta ao normal...;)





sexta-feira, 29 de maio de 2015

Não, eu não morri...

Oi, pessoal!

     Estou de volta... Estava há meses pensando no que escrever, cheguei a criar um diário de papel para sair escrevendo pensamentos conforme um livro (Para Manter a Mente Sã, da School of Life) me mandou, mas ainda sentia falta de estar mais presente aqui... Sabe aquela coisa do "amanhã eu faço?", pois é...

     Até que hoje, uma amiga de trabalho (que não sabia do meu "passado me condena"), me pediu para ver o blog depois que contei rapidamente do momento "minhas próprias células fdp tentaram me matar". Qual não foi a minha surpresa ao ouvir: "Poooo, você não escreve desde fevereiro! Vão achar que você morreu! Mega desestímulo para as amigas!" E eu esperando ouvir um reles "Que maneiro..."

     Pooooo, morrer não... Não ainda e espero que nem tão cedo... Ainda tenho tanto a fazer... O cabelo, as unhas, colocar um preenchimento aqui, terminar o mamilo (tô no devedor quanto a isso!), finalmente frequentar a academia e ter um abdome sarado, uma bunda no lugar... Enfim, tantas coisas úteis ao mundo... A Terra não pode ficar sem mim agora!

     Graças a Deus, por hora, não tenho onconovidades para contar, mas a ressonância das mamas está marcada para 19 de junho... Uuuuiii... Medinho, arrepio na espinha, orações, velas compradas, terços em punho e 'vambora torcer para não ter nada além de um Birads2. Porque hoje eu estava engarrafada pensando em qual momento eu fui mais feliz nos últimos meses e lembrei: ler um Birads2 na última RNM. Conclusão: ou minha vida anda bem b... Ou depois de ter tido um Birads6, o mais legal da vida é realmente ter um 2 vida...

     Hummm... Quanto às novidades "outcancer"... Estou num emprego novo, num curso novo, com um namorado já quase velho (hehe, ele me mata agora!), com o mesmo carro, na mesma microcasa e com 3 gatos... Simmm, tenho três gatos agora. E... Com planos animados para 2016.

     Gente, hoje nem estava mega criativa, mas vim aqui só para dizer que ainda estou vivinha da silva... E que volto... E em breve! :)

     Mil beijos!!!

     

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Manual para quem teve câncer...

É, amiga, você teve câncer...

Que m..., hein? Por mais que a gente tenha muito mais a comemorar do que a chorar, venhamos e convenhamos, não foi fácil, né? Só a gente que passou sabe o quão difícil foi, por mais forte que tenhamos parecido ser...

Nessa semana me vi relendo o post que fiz sobre o "Manual para quem descobriu que está com câncer" (link aqui), e pensei... Por que não fazer o para quem sobreviveu a esta meleca?

Antes das críticas, não sou um ser iluminado dando dicas de como ser, fazer, agir, só tento brincar com essa droga de doença que aconteceu com a gente (ou com alguém importante para você...).

Vamos às dicas?

1 - Primeira delas. Você é sinistra. Sério. Enquanto suas amigas choravam porque queriam uma bolsa, um sapato, um perfume, que o cabelo alisasse (ou encaracolasse...aff, mulher nunca está satisfeita com nada), que a barriga ficasse tanquinho, que a bunda virasse a de madrinha de escola de samba, nós estávamos querendo apenas sobreviver. E lutamos muito para isso. Cara (sou carioca, lembram?:), você é Ph..., com ph mesmo...


2 - Você está dando muito mais valor à vida. Claro que você tem problemas. O seu emprego tem momentos chatos, seu chefe te perturba, muitas vezes você nem conseguiu voltar a trabalhar, as contas não pararam de chegar, você ainda pega trânsito, gente te destrata em alguns lugares, masss... O que significa isso quando você compara aos momentos pós-quimio??? Ahhhh, tiramos isso de letra.

3 - Seu cabelo cresceu. Em algumas, ele cresceu mais liso, em outras mais ondulado, mais branco, mais louro, mais escuro... Mas cresceu... E cá entre nós duas, você já voltou a reclamar de ter que secá-lo antes de sair, não foi? E a conta do cartão de crédito voltou a crescer com xampus e condicionadores caaaaros, não voltou? Seu banheiro já parece o setor de higiene pessoal do mercado... Lembra quando ele começou a cair? Pois é, ele cresceu e você já faz até rabo de cavalo...


4 - Lembra aquele soutien bege enoooorme que você comprou para o pós-op da mastectomia? Você acaba descobrindo que até que o danado era confortável, naquele dia de desespero onde os bonitinhos estão lavando e você apela para o bege-vovó mesmo...

5 - Você agora tem uma cicatriz gigante no peito... (ou nos dois, ou na barriga...). E sabe o que isso quer dizer? NADA! Quanta mulher não anda operando e ficando com cicatriz enorme por motivos estéticos. A nossa foi sobrevivência, baby...:) E ela diz respeito ao item 1.

6 - Você pode não estar se alimentando da forma mais correta, pode ainda não estar fazendo exercícios (mea culpa...), mas sabe bem que precisa e vai encaixar isso na sua vida nos próximos 15 dias.

7 - Como a gente ficou alguns meses longe de algumas coisas bem boas durante o tratamento, agora cada mergulho no mar é ainda mais gostoso, cada salada crua é ainda mais saudável, cada cinema é ainda mais legal... Até aquela praia lotaaaada dos fds está ótima. 



8 - Você agora sabe bem o que outra paciente com câncer está sentindo. E sabe o que é bom disso tudo? Você pode realmente ajudar outras pessoas. E como faz bem para alguém que está começando o tratamento ouvir de alguém que já passou por isso de que está tudo bem, de que a vida seguiu e a dela também vai seguir...

9 - Você tem um medo que se pela da meleca do câncer voltar... Eu sei. Cada mês de fazer exames é pior que pular de asa-delta sem a asa... Sensação pura de medo. Afinal quem achou bom encarar um diagnóstico desses? Mas, vamos ser racionais (ao menos tentar): quantas pessoas são atropeladas todo dia? Quantas morrem em decorrência da violência? Pois é, para morrer basta estar vivo, então vamos aproveitar bem o hoje, pois o amanhã ninguém (mas ninguém mesmo!) sabe se chegará.

10 - Por falar em medo que se pela... Quer parar com essa mania infeliz de continuar abrindo os laudos antes de levar ao(s) seu(s) médico(s)???? E lá vai correr para o Dr.Google e ler um mooonte de coisa nada a ver... E para de querer fazer os exames de tudo quanto é coisa porque quer descobrir logo se tem metástase... Na boa, se tiver você vai tratar. Para de sofrer de véspera! Ou você é peru? 



11 - E que tal aproveitar que você passou por esse perrengue ainda jovem e tentar saber qual é sua meta (suas...) de vida. Muitas vezes as pessoas só param para pensar no que querem deixar de lembrança para os que ficam neste mundo, quando já estão beeeem velhinhas... A gente encarou a morte bem cedo, foi uma droga, mas já sabemos bem que ela chega e vai chegar para todos... Que tal aproveitar a vida e deixar nossa marca com orgulho de termos vivido bem e fazendo o bem?

12 - E para não acabar no 10, porque afinal somos diferentes... Vamos ser felizes. Não sempre, pois tivemos câncer, não ficamos loucas... Sabemos que terão dias nublados, assim como existem os dias de sol... A vida é cíclica, mas que a gente consiga fazer com que os dias mais pesados sejam menos frequentes e que a alegria de estar viva perdure na maior parte da vida. E ´bora aproveitar que é fevereiro e #partiubloquinhos. UHUUUUUUUUUU!


P.S. Dia 08 de fevereiro farei 4 anos de mastectomia. Acreditem, passa rápido. E vambora para os 5 anos! UHUUUUUUUU²!

P.S². Em virtude de comemorar 4 anos de sobrevida (odeeeeio esse termo...), dia 08/02, aceito presentes, viu???

Mil beijos para todas!


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Respeitando a vontade dos outros... Fim da vida, paliação e afins...

     Olá, meninas!

     Como foram de Natal? O meu foi o de sempre: comi, comi, comi... Assisti à missa e trabalhei...
Nem reclamo de trabalhar no Natal, sempre soube que isso poderia acontecer ao escolher ser médica. Ninguém me enganou falando o contrário... Então, encaro como uma chance de levar carinho e atenção aos pacientes que estão internados neste dia.

     Para variar venho para o blog escrever meio sem tema. Parece sessão de terapia, aonde o psicólogo falava para vir de mente vazia, aberta e deixar fluir. Faço isso aqui, as palavras vão saindo e vou deixando rolar. Às vezes até sai um texto interessante...

     Natal é sempre aquela época aonde paramos para refletir, repensar a vida e analisar o que realmente importa para a gente. Neste ano, Deus (ou no que quer que você acredite...) parece ter me dado mais um sinal de que devo aproveitar e focar no que realmente importa na vida. Venho atendendo muitos pacientes oncológicos. Claro que ter passado pelo que passei ajuda e muito a entendê-los, mas a sensação que tenho é que ainda estamos longe de saber lidar com pacientes que não têm mais chance de cura, mas ainda têm muito o que viver.

     Ontem vi o atendimento de uma paciente da mesma idade que eu, com ca de mama metastático e uma agonia infinita por parte dela e da família. E aí? O que fazer? Não tive nem tempo de conversar com ela e lá estava ela sendo transferida para o CTI. Poxa, será que isso era o melhor para ela? Ou foi o melhor para a equipe? Até onde vai a nossa agonia e o mais certo a ser feito pelo bem estar do paciente e do seu familiar?

     Sei que são muitas perguntas que vão além apenas do conhecimento técnico da medicina. Envolve crenças, experiências prévias por parte de cada um, a relação com o paciente e seu familiar... Mas tenho certeza que podemos ser melhores. Precisamos fazer uma medicina diferente. Dar amor, respeitar, dar qualidade de vida. E nesse blablabla todo, resolvi que a meta para 2015 é ser uma médica mais completa e melhor. Inscrição do curso de cuidados paliativos já está feita. :)


     E espero ainda voltar aqui ainda esse ano para traçar novas metas para um 2015 mais pleno e feliz.

     E vamos ao que importa... Você que é paciente (oncológico ou não), como você gostaria de ser tratado (a)? Quer ser mais ouvido? Dar mais chance para sua família ser ouvida? Vamos fazer um mundo melhor, nem que seja num começando num quarto de hospital...:)

     Muitos beijos e um Feliz restinho de Natal...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O tempo passa... O tempo voa...

     Olá, meninas!

     Voltei antes do que imaginavam, né? Prometi que quando tivesse alguma ideia e sendo possível, eu escreveria rapidamente aqui... Hoje a ideia veio, e estava em casa... Logo, vamos ver no que vai dar...:)

     Nem sou muito de fazer rascunho quando escrevo. Vou deixando as palavras aparecerem, digito (cato milho, vá lá...) e no final dou uma revisada e publico. O que vem do coração sai mais leve. E se posso dar uma dica para quem está no meio do furacão do diagnóstico/tratamento de um câncer, vai essa: escreva. Ajuda muito. No meu caso posso dizer que foi parte importantíssima para eu manter minha saúde mental quase em dia... (Normal, normalzinha eu nunca fui mesmo... rs)

     Mas vamos ao que interessa: o texto de hoje. 

     Essa semana rolou comemoração de fim de ano com o pessoal do trabalho. Tá, e daí? Todo mundo neste mundo de meu Deus deve ter participado de ao menos uma festcheeenha de fim de ano, mesmo achando que Cristo era só mais um cara cabeludo, gente fina e do bem... No meu caso esse momento serviu para muito mais do que ter certeza de que trabalho com pessoas mais do que especiais... Serviu para fazer um flashback do que aconteceu de 2010 para cá...

     Há 4 anos atrás, nos idos de 2010, a Copa tinha sido na África do Sul, eu tinha acabado de me matar no mestrado, mudado de rumo no que diz respeito à vida sentimental, entrado em 2 empregos diferentes e perdido um dos maiores amores da minha vida: o Toddy, meu labrador chocolate mais lindo do planeta... 2010 tinha sido tão sinistro que esperava um 2011 mais tranquilo, com esperança de que a calmaria estaria chegando... Ha ha ha


     E 2011 chegou. Num réveillon em Mauá, sem um barulho de fogos, cachoeira e muito ar puro. Pronto, era o prenúncio da paz que reinaria. Tolinha de novo: 24 de janeiro e vem a cartinha mais temida que, resumidamente, dizia: F... Você está com câncer. Morri, ressuscitei e fui à luta. Mastectomia, quimioterapia, ficar careca, vomitar a alma, mais cirurgias, parar de trabalhar totalmente por 2 anos, mais medicações injetáveis, mil consultas, três mil exames, medo, muito medo e mais vontade ainda de viver e ser feliz.

     Mas e por que essas recordações assim e no meio de uma festa de trabalho? 


     Porque essas pessoas que estavam ao meu lado nem devem saber, mas elas que abriram os braços e me acolheram no meu retorno. Retorno ao trabalho, retorno ao "mudar novamente de lado na maca", retorno à vida... E elas me receberam tão bem, que já faz quase 2 anos que este retorno aconteceu, mas ainda hoje eu agradeço muito por saber que posso contar com elas. Mesmo que elas não tenham noção disso, elas são minhas anjinhas da guarda. E eu jamais esquecerei dos sorrisos, das gargalhadas e do apoio incondicional que elas me dão todo dia, o dia todo. 

     E que 2015 passe logo... E 2016 chegue rápido... E 5 anos terão se passado... :) 

     ..." Para todo mal, a CURAAAAA..."  ou ..." há cura..." (a critério do freguês)

     Mil beijos!

     

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A hora é agora...

     Olá! Tudo bem??

     Nossa, se eu chamava o que acontecia antes de sumiço... O que aconteceu agora foi desaparecimento total mesmo, devo ter ido para Marte com o Curiosity, sumi com a água de SP ou com a vergonha na cara dos políticos...

     Se por um lado esse meu sumiço é ótimo sinal: meus exames estão todos normais... Por outro é sinal de que a vida voltou a ser exatamente como era antes do câncer: trabalho, muito trabalho... E isso pode não ser tão bom assim...

     Relendo meus posts prévios, vi que eu ia mudar mil coisas na vida e de verdade? Mudei mais minha forma de pensar do que a de agir... Continuo me dedicando demais ao trabalho, confiando em quem não merece tanto, abrindo mão de muitas coisas e ainda dizendo muito "SIM", quando na verdade o que eu mais queria era dizer um sonoro "NÃO"... 



     Mas, como na vida não podemos ser estáticos e sabemos de antemão que sempre iremos errar, o que precisamos fazer é reconhecer que erramos e mudar, aprender, evoluir... Não pode saber que está errado e continuar batendo cabeça...

     E, em 8 de dezembro de 2014, dia de Nossa Senhora da Conceição, comecei com minha primeira mudança: o agora é o que importa. Baseado num livro que estou lendo, o amanhã eu deixo para depois. O hoje é o que eu tenho de certo. E ele vai ser o melhor possível. E que a cada minuto, hora, dia, mês, eu tenha aproveitado cada momento. 

A hora é agora, o momento é já:


quinta-feira, 10 de julho de 2014

A mulher que eu virei...

     Olá, meninas!

     Para variar, estou sumida, né? Eu sempre prometo não desaparecer muito, mas acaba que a vida vai dando voltas e acabo chegando tão cansada, que fico sem ideia para escrever aqui... (mentirinha, ideias eu sempre tenho, me dá é preguiça mesmo!).

     Sumi porque a vida tem dessas reviravoltas, né? E nós, que passamos por uma meleca de uma doença, sabemos bem como ela dá essas guinadas e como elas aparecem de onde menos se espera. Pois bem, aconteceu algo assim, mas só que no meu trabalho. Onde éramos um grupo, viramos duas. E sabe o que isso me mostrou?

     Que não é que o &%$#@ do câncer me deixou algo de bom? Agora, no auge do estresse, penso que se me livrei de uma doença dessas, nada mais vai me abalar... Se no auge do diagnóstico eu aguentei de pé... O que mais pode me derrubar? Gente falsa? Trabalho demais? Falta de compromisso/comprometimento? Ah, tiro de letra. Meu cabelo já caiu, já fiquei careca, já tive a pele igual a um Chokito... Isso é café pequeno.

      Problemas sempre aparecem, a maturidade nos mostra que a forma como os encaramos é que nos diferencia dos demais.
   
     E depois desse estresse/decepção é que eu percebi que mulher que quero ser e continuar sendo:
     - aquela em que os outros podem contar/confiar
     - que trabalha no que ama e o faz da melhor forma possível
     - aquela que mesmo no meio do tsunami, consegue manter a respiração calma, mas com o foco de voltar à superfície
     - ter paz e saúde.

     E que eu continue cada vez mais aprendendo... E sabendo que a vida é isso: um eterno aprendizado. E que eu não repita de ano. :)


     Mil beijos! Saudades de vocês!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Eu acredito!!!

     Olá, meninas!!

     Tudo bem?? Comigo tudo ótimo. Vida voltando cada vez mais ao normal, apesar de saber que depois de passar pelo que passamos, voltar ao normal (normaaaal mesmo) nunca mais será possível (como esquecer dos cabelos caindo ralo abaixo, do enjoo das quimios, da cicatriz enorme?). Mas, a vida volta aos eixos e, acho eu, que voltamos encarando tudo de uma forma diferente.

     Eu sempre escrevi aqui sobre meu tratamento, sobre como eu tinha encarado o câncer, mas poucas vezes escrevi sobre minha vida "fora do mundo oncológico". Dividi com vocês várias angústias e várias "divagações", mas sempre que lia blogs sobre câncer, sentia falta das pessoas escreverem como elas estavam depois que tudo passou... 

     Pois bem, cá estou eu 3 anos após a mastectomia, 2 anos e uns quebrados após o término das quimios, 1 ano e uns quebrados (quase 2!!) do término do Herceptin, comemorando com vocês o fato de eu estar me sentindo de volta ao trabalho. Vocês vão estranhar... Mas, ué, já não voltou ano passado? Simmmmmm! Não fiquei doida. Vou explicar... :)

     Em fevereiro do ano passado, tive a chance de voltar a trabalhar antes do que eu imaginava. Como todo recomeço, foi difícil, achava que não saberia mais ser médica, estava insegura com tudo. Mas fui muito bem recebida por todos do Hospital Badim. Tive apoio, carinho, orientação, ajuda e mais todas as palavras bonitas que vierem à sua cabeça nesse momento. 

     Foi difícil? Muito. Se reiventar após 2 anos afastada e tendo passado por uma experiência que te mostra que você tem sim um fim, te faz refletir de todas as formas. Bobeiras são bobeiras. Mas certas angústias são reais. E sempre tive a sorte de ter profissionais ao meu lado que compreendiam isso. Descobri que mais do que COLEGAS DE trabalho, tenho AMIGOS NO trabalho.


     E hoje, nosso hospital foi acreditado com excelência... E isso foi maravilhoso. Mas, além do paciente poder ter confiança na qualidade do nosso atendimento, entendi o real significado da palavra EQUIPE. E esse meu "blablabla" todo foi para isso. Para agradecer enormemente a todos que compõe a grande família do Hospital Badim. Saber que você faz parte de um grupo que quer construir JUNTO no mundo de hoje faz toda a diferença. Sentir que pertencemos a um lugar onde todos querem SE ajudar, faz valer a pena sair todo dia de casa cedo. 

     Obrigada a todos do Badim. Obrigada por me fazer voltar à vida e com toda essa vontade de fazer melhor. Obrigada por me mostrarem como fazer a diferença. E juntos. 



     Meninas que estão chegando agora: Espero que essa mensagem sirva de conforto para quem está na fase do início do tratamento. O tempo ameniza todas as dores. Vai passar. Acreditem. Eu e todos do meu trabalho acreditamos. :)

     Muitos beijos! 

     


domingo, 18 de maio de 2014

Em que posso ajudar?

     Olá, meninas! Tudo bem?
   
     Não falei que ia tentar aparecer mais? Pois é, estou conseguindo, vamos ver até quando... ;) Estou numa fase beeem complicada em termos de trabalho, mas só nós que passamos por um perrengue-master sabemos que nada é mais importante do que nossa saúde... Então, por mais que fique ansiosa e/ou triste com certos acontecimentos, eu tento relevar e lembrar do que realmente é problema... 

     Mas hoje nem estou aqui para chorar as pitangas, estou aqui para dividir com vocês um pensamento. Vocês viram quantas pessoas se inscreveram para ser voluntárias da FIFA??? 14.000 pessoas. Nada contra, cada um faz o que quer do seu tempo livre. Mas pensei... Poxa, se essas pessoas têm esse tempo livre e estão dispostas a ajudar, por que não ajudar a quem realmente precisa?? Acredito eu que a FIFA possa pagar a todos esses voluntários e ainda sobraria dinheiro... 



     Sei que é um trabalho diferente, que tem a ideia de "participar de um grande evento", de "conhecer pessoas de vários lugares do mundo"... Mas acredito que o principal de se voluntariar é ajudar... Ou não?
E aí pensei, por que essas simplesmente não se dedicam a ajudar uma vez ao ano que seja? Ah, não sabe como? Vai na igreja, asilo, orfanato, hospital mais próximo e se informa do que precisam. Posta no Facebook que quer ajudar, doa sangue... DOA MEDULA. Quer maior ajuda do que salvar uma vida???? 

   
     Hoje nem quero me estender, mas vamos tirar o que esse espírito de ser voluntário trouxe e ajudar a quem realmente importa (acredito que não seja a Fifa...).

     Que tal começar pelo REDOME? Vamos lá... Se inscreve, vai...

     Muitos beijos e um ótimo domingo. E vamos sair de casa com um pensamento... "Já ajudei alguém hoje?"

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Medo, muuuito medo... E porque voltei.

     Olá, meninas!

     Dessa vez eu estava realmente beeeeem sumida. Foram quase 6 meses distante do blog, sem tempo para escrever nem 3 linhas. Sei que tinha prometido para mim mesma não ficar tanto tempo longe, mas o dia-a-dia corrido e a volta à rotina acaba nos afastando de tudo que passou... Todos me falam que é até saudável, mas me prometi que não ia sumir do blog para ser sempre a esperança das pessoas que começam nessa luta (estou vivinha e cabeluda após 3 anos e 3 meses da mastectomia!), então me desculpem por não ter cumprido a promessa, mas cá estou eu de volta. 

     Como vocês devem ter visto, nesse domingo começou uma série no Fantástico sobre câncer de mama. Fiz questão de ver, mesmo sabendo que ia sentir um turbilhão de emoções, de memórias e de sensações... Mas não achei que o "tlec" da biópsia fosse trazer taaaanto medo à tona. 

     Será que foi só o "tlec"?? Naquele momento, ao fazer a biópsia eu ainda era uma pessoa cheia de esperança de que não fosse nada... Poxa, eu sou jovem, não tenho nenhum caso na família, não fumo, não bebo, não sou obesa... E ainda ia à missa quase todo domingo, tratava bem crianças e idosos e ainda adotei um cachorro de rua... Por que ia acontecer comigo???

     Pois é... Aconteceu. E pelo que senti ontem, esse medo nunca vai sumir. Ele pode amainar, mas sumir, sumiiiir, estilo desaparecer, acho que não. E por um lado isso é ótimo... Sabe por quê?? Porque aos (agora!) 37 anos, aprendi que a vida é curta, imprevisível e que não temos absolutamente controle de nadaaaaa. E acho bom que você que está lendo também perceba isso antes que seja tarde.

     Está reclamando porque o trabalho está chato? Só depende de você mudar. Ou aceita ou sai. Reclamar não vai adiantar. Quer aquela bolsa maravilhosa de milhões de reais? Vai atrás se você achar que será uma mulher melhor portando uma. Mas será que ser uma mulher melhor depende de uma bolsa que você carrega? Fica a seu cargo esse julgamento. Não tem tempo de encontrar os amigos (e esse vai mega master blaster para mim...)? Quando você estiver sozinho numa cama (ou leito...), aí sim vai dar valor a cada uma daquelas risadas que vocês davam ao relembrar de tantas histórias... Não pôde fazer aquilo que você queria porque acabou fazendo algo que "esperavam" que você fizesse?? Vai de você e só de você saber o que realmente é importante. A sociedade pode querer um monte de coisas, só a gente sabe o que realmente é o que a gente quer.  

     Vou parar de escrever porque me prometi caminhar 40 minutos ao menos todo dia. Mas prometo que por mais que o medo de ter câncer de novo me assombre, jamais vou esquecer que quero ser feliz e leve em 90% dos meus dias. Que tal você fazer o mesmo? Assista o vídeo e reflita. O que realmente importa?

     Muitos beijos!!! 

     

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Se chorei ou se sofri...

     Olá, meninas!!!

     Tudo bem?? Comigo tudo caminhando. Acho que essa época do ano me deixa mais tristonha mesmo, mas vai passar.

     Esse ano foi o ano da mudança. Muitas coisas aconteceram, muitas transformações, reconhecimento, decepções, alegrias... Nem sei bem o que quero escrever hoje, mas vou sair colocando aqui... Como no Reveillon não pretendo mexer muito em computador, esse texto meio que fica como uma retrospectiva 2013, o ano da virada. 

     Começou tudo bem, achando que a vida ia mudar. Ia mudar de cidade, largar o Rio para trás. De repente, num telefonema tudo mudou. Não ia mais sair do Rio, não estava mais com aquela pessoa. Levei um susto, mas vida que segue. Da tristeza juntei forças e foquei no trabalho. 

     
     Voltei a trabalhar antes do que imaginava. Continuei na cidade que tanto amo. Conheci pessoas mais do que especiais. Voltei a ser médica. Voltei a estar do outro lado da maca, mas sem nunca esquecer o que passei. Não vou dizer que agradeço ter tido câncer, mas se ele me trouxe algo de bom, foi descobrir o prazer de escrever, me permitir ter um novo olhar sobre a vida (e a medicina) e  ter conhecido certas amigas que ficarão para sempre. 

     Aproveito esse texto para agradecer muito aos meus novos amigos de vida e de trabalho. Gostaria muito de agradecer à Debora, ao Luiz Eduardo e ao Severo por terem me dado a chance de recomeçar na medicina. Dois anos parada e com medo de levar tanta picada/furada/remédio tinham me deixado meio sem saber como lidar novamente com os pacientes, como mudar de lado de novo. Com a paciência e o carinho deles, voltei. Aos trancos e barrancos, mas voltei. Quero muuuuito agradecer também às minhas amigas enfermeiras que têm tanta paciência comigo e sempre me dão palavras de apoio no momento de chororô (ordem alfabética para ninguém ter ciúme né, Livia? rs): Audrey, Jessica Lima, Jessica Lopes, Juliana, Livia... Vocês nem imaginam como ter vocês por perto me faz bem. Entendi na pele o porquê de vocês terem escolhido a profissão do CUIDAR. Ninguém como vocês para cuidar tão bem de alguém. Só uma coisa a dizer a cada um de vocês citados: se ferraram, vou perturbar vocês pelo resto da minha vida. Lu, te adoro, disso vc já sabe. Amiga para a vida de inteira, dessas de infância e que ficam para sempre. 

     Ahá, e se vocês acham que a vida é feita só de trabalho... Nananinanão. Acho que esse ano teremos novidades no campo do amor (agora falei que nem astrológa!!!). Bom reencontrar pessoas que nos fazem/fizeram bem, mas que sabe-se lá porquê a vida separou. Bom reencontrar essa pessoa e ter maturidade para perceber o bem que ela me faz. E vamos ver no que dá. Mas como diz a filósofa Anitta (Ou escreve que nem o vermífugo?): "olha, você me faz tão bem... só de olhar teus olhos, BABE (quem chama alguém de baby, nesse meu Brasil varonil, MEODEOS?), eu fico zen..."


     E é isso... Começou uma meleca, terminou bem. Reconstruí o mamilo. E acho que essa fase cirúrgica acabou. Vida que recomeça, e sem trocadilhos, se reconstrói. E vamos ser felizes. Que venha 2014... #imaginanacopa #2014chegou... Aeeeeeeeeeeeeeee!

    Beijooossss!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Medo

     Olá, meninas!
     Tudo bem? Comigo tudo tranquilo. Meio cansada de tanto trabalhar, mas sempre que começo a reclamar, penso no que já passei e volto a agradecer por estar viva.

     E por falar em estar viva, esses dias atendi um paciente grave e percebi como a proximidade da morte incomoda a todos. Não vou falar que morrer seja legal, que perder um ente querido seja a coisa que a gente espera, mas acho que precisamos aprender a lidar com a morte e com a possibilidade dela de uma forma mais tranquila. Percebi que as pessoas se afastam de quem está doente, não por maldade ou insensibilidade, mas por não saber como agir...

     Aí me dei conta de porquê muitas pessoas se afastaram de mim quando eu estava doente. Não foi por maldade, não foi por serem ruins ou não estarem nem aí para mim, mas porque na maior parte das vezes, as pessoas simplesmente têm medo de não terem o que dizer, não saberem se expressar, têm medo de encarar a morte do outro e isso lembrá-las de que ninguém está livre disso. Se temos uma certeza na vida, é essa: sim, vamos morrer. De verdade. Não sabemos quando, nem como, mas... Vai acontecer com todos. Não temos que nos afastar de quem está doente. A morte muitas vezes vem do nada, e ninguém mesmo sabe quando vai ser. Não sabe o que dizer? Fica junto. Não sabe como agir, dã a mão. O toque, o olhar funciona mais que mil palavras na maior parte das vezes.

     Dê amor. Funciona sempre.

     Beijos em todas!

     

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Porque um dia você vai mudar de lado...

       Olá, meninas!

     Para variar, um título meio bizarro. Mas vou explicar logo: saí do lado "paciente" e fui para o lado "acompanhante". E sim, ele pode ser tão cansativo quanto. 

     Minha mãe passou mal esses dias. Nada de emocionante, mas mãe é mãe, vocês sabem. Ela teve uma dor de cabeça e como boa cabeça-dura que é, foi sozinha ao hospital. Começa aí o "outro lado".

     Quando é você quem está doente, você não tem muito o que fazer a não ser enfrentar o tratamento. Não tem muita opção: ou é isso ou morrer. E a não ser naqueles dias de "deprê master blaster plus", a opção MORRER está sempre fora de cogitação. O jeito então é encarar o tratamento que for e seguir em frente. Nunca me considerei a guerreira por isso. Na verdade, não tinha outra opção. Não fui heroína. Qualquer um no meu lugar faria isso. Alguns com mais bom humor, outros com menos, mas todos encaramos cirurgias, quimio, efeitos colaterais e afins. Massss, vamos voltar ao lado "acompanhante"!



     Como é difícil ter medo do que pode acontecer com quem a gente ama, né??? Nossa, acho que nesse momento tive um pensamento mega egoísta do tipo: "ufa, ainda bem que fui eu que fiquei doente!" Ficar do outro lado esperando resultado de exames, tendo que aguardar em salas de espera por notícias, conversar com médicos (nessa hora esqueço os anos de faculdade e trabalho!) e pensar em quais decisões tomar é beeem mais difícil do que ficar doente e receber o tratamento. Na boa. E nessa eu aprendi mais uma coisa: entender o que quem me ama, passou... Deve ter sido difícil para caramba! E mais uma vez aprendi uma lição: temos que tentar nos colocar no lugar do outro SEMPRE. Só assim podemos agir melhor e entender o sentimento (e atitudes) alheio. E facilita para todo mundo. Sei que isso tem um nome em psicologia, mas tô com preguicinha de dar uma "googlada". Foi mal, tá?

     Mas como tudo tem uma parte engraçada. Vamos a parte "sala de espera". Hoje era o dia da ressonância de revisão. Acabou que o lugar onde tinha horário mais perto, era exatamente aonde fiz minhas ressonâncias. Trauminha... Barulho bizarro, lembranças ruins dos dias logo após o diagnóstico. Minha mãe entrou e eu vagando nas minhas lembranças... Até que... Criancinha começa a gritar. Beleza, super entendo. Se eu, adulta, quando me via perto de entrar naquele túnel sem graça, me via com vontade de gritar, que dirá uma criança. Perdoei e compreendi. Apesar de achar que aquela mamãe fofa podia tentar dar uma educada no seu pimpolho. Mas vá lá. Nada que atrapalhasse minha leitura da Claudia de 1967 e da Veja de 1978. Aí sim, você vê que nada está tão ruim que não possa piorar. Sala lotada, tiozão de óculos escuro se achando, senhora reclamando que o exame DELA está atrasado, mocinha estilo periguete senta ao meu lado. Perfume de 5a (6a, sábado E domingo). Mas isso não era o suficiente para tornar aquela experiência revolucionária. Ela pega uma balinha e tasca na boca. Impressionante os sons que uma simples boca é capaz de fazer. Escrevi um post no Facebook e deixei bem visível para que ela lesse. Deve ter lido, porque mudou de cadeira, massssssss.. PEGOU OUTRA BALA e fez ainda mais barulho. Só uma coisa a dizer: saudades do toin, toin, pioonn, pionnn, ta, ta, ta... da ressonância. Ah e quero uma máquina que nem essa da foto!



     Muitos beijos e, por favor, me digam que não sou chata! :) Mas que vocês também detestam barulho de "boca"...


     

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Mamilos polêmicos

     Olá, pessoal! 

     Tudo bem? Cá estou eu de novo... Falei que ia tentar ser mais frequente? Pois bem, por enquanto estou cumprindo (vamos ver até quando o trabalho permite...).

     Estou naquela fase meio chata de pós-operatório, se é que vocês me entendem... Depender dos outros para tomar banho, secar cabelo, pegar pote de açúcar na parte mais alta do armário... Mas, não estou escrevendo para desanimar ninguém... Muito pelo contrário! Hoje consegui visualizar melhor a reconstrução do mamilo! E está lindo! Muito bom mesmo! Para quem viveu quase dois anos com a sensação de que tinha passado pela mão de um estagiário que não sabia mexer no Photoshop, foi a alegria suprema: tenho dois mamilos de volta! Tudo bem que com essa moda de fotos "mexidas", já teve modelo sem umbigo, sem braço e tal, massss... Prefiro assim!


     E esse post é para você que está naquela fase em que pesa a dúvida, faço ou não faço a reconstrução?? "Poxa, já passei pelo câncer, o resto é besteira..." Vai por mim, não é!! Reconstruir faz um bem danado para a cabeça, parece que a vida voltou realmente ao normal, sabe? Tá com medo de ser submetida a uma nova cirurgia? Deixa de bobeira: o pior já passou! Vai fundo! Estou junto com você nessa!!

     E se você ainda está no começo dessa luta, não desanima! Logo, logo você vai estar pesquisando sobre isso! E a vida vai voltar ao normal. Garanto! :) 

     Mil beijos em todas e um ótimo fds.

     P.S. esse fds vai acontecer o III Encontro Das Amigas do Peito, em BH. Não estarei lá fisicamente, exatamente por estar nessa fase de pós-operatório, mas estarei lá em coração. Muito bom encontro para  todas as meninas, sintam-se abraçadas! Amo vocês. Obrigada por tudo! Quer participar do grupo? Procurar por Amigas do Peito no Facebook. Qualquer dúvida, só perguntar! :)