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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Ahhh, vai para a... Ressonância...

Oláááá...

     Tinha tempo que eu não passava por aqui, né? A última vez foi em agosto de 2015 e de lá para cá eu andava meio envolvida demais com o trabalho...

     Rolou até outubro rosa e eu nem passei por aqui... tsc tsc...

     Masss... Aí, chega a hora dos exames de revisão e volta à nossa mente tudo aquilo que a gente passou e um momento em especial me faz refletir profundamente por tudo o que eu passei... A c*#&@ da ressonância...

     Era para eu já estar acostumada com ela... Afinal, desde 2011 fazendo umas 2x/ano (fora a de crânio e coluna cervical que rolou no meio do caminho...), fiz umas 10... Já praticamente decorei a ordem do "tra..tra...tra, pinhoin, pinhoin, dadadada, papapapa...", mas mesmo assim, ainda odeiooooo esse exame...



     Não que broncoscopia deva ser legal, colonoscopia seja maneiro, até a ultrassonografia transvaginal é beeeeem chata, mas a ressonância... Ahhh, a ressonância...

     A de hoje foi desses exames que já nos fazem refletir e agradecer por não precisar disso mensalmente... Hoje ela foi especialmente chata e com requintes de crueldade... Daí o título. Que mané mandar a pessoa para a PQP... Lá é mais legal... RNM é o que há. Último grito nos xingamentos.

Vamos aos fatos:

- ela estava agendada para janeiro - quebrou o aparelho na unidade em que sempre faço e nunca mais foi consertado... Agendaram para depois do carnaval em outra unidade e... No dia agendado me enrolei no trabalho e tive que desmarcar... (primeira vez em 5 anos...)

- Consegui agendar para hoje, no fim da tarde... Odeio fazer exames que exigem jejum no fim da tarde... Sabendo que nunca consigo almoçar, o jejum que era para ser de 3 horas, vira de quase 12 hs...:( E tome de mau humor...

- Como já tenho carteirinha vip das clínica de exame e sou garota-carioca-marota, já sei das manhas dessas clínicas... Marcou exame para o fim do dia? Lascou-se... Aqueles atrasinhos de 5 minutos ali, 10 minutos aqui, foram todos somados e chegaram às 2 horas no fim do dia...

- E sabe aquele jejum de 12 horas? Virou uma 6a feira Santa... jejum de quase 24 horas... Próxima vez aproveito que isso vai acontecer mesmo e purifico minha alma junto...

- Aí você corre no trabalho para tentar chegar na clínica... Não rola estacionamento, banco a Angélica... Taxista erra o caminho... Pego trânsito... Mas como em época de exame me sinto como se fosse pular de paraquedas (sem o mesmo!), a ansiedade grau 10 me faz seeeeempre tentar chegar mais de 1 hora antes, até que consigo chegar na hora...

- Sabe aquela história de ser marota? Cumpre-se a profecia... "Senhora, a ressonância vai estar atrasando em 1 hora..." Amiiiiigos, para eles me avisarem, no fuso-horário dessas clínicas, 1 hora equivale a 120 minutos... (meu estômago resolve digerir o pâncreas com essa notícia... A auto-fagia gástrica já havia rolado no trânsito)

- Tiazinhas todas enlouquecidas (Jejum, compreendo tudo...) começam a reclamar com as tiazinhas enlouquecidas da recepção... E eu só pensando... "não posso ficar doente de novo", "preciso de um copinho d´água", "quem inventou de jejuar nesse calor dos infernos",  "não posso ficar doente de novo", "por que todo mundo está com essa carinha de calma com o pedido de ressonância de joelho, enquanto eu estou semi-histérica?", "não posso ficar doente de novo", "que inveja dessa mocinha que vai fazer um exame do ombro",  "não posso ficar doente de novo"... E o pensamento passa a ser obsessivo... Tudo passa a ser um sinal de que..."não posso ficar doente de novo"

- Fui finalmente chamada... Entrei na cabininha, recebi aquele olhar da radiologista "por que cargas d´água essa XOFEM (nem tanto...) está fazendo ressonância...?" "por que não fez mamografia antes?", respondo pela milésima vez o questionário... Topo de boa o contraste... "Em que ano fez a cirurgia?", "Algum caso na família?", "Fuma?" (Nooossa, uma radiologista lembra que existe História Social e Familiar...rsrs Radiologistas me amarão agora...) "não posso ficar doente de novo"... E tchau, beijo. Vem a técnica me dar bronca porque minhas veias sumiram... Ah, sim... Eu fiz um treinamento incrível especificamente para sacanear técnicas... "como sumir com suas veias quando você desejar". É tipo uma auto-flagelação, sabe?  Assim eu serei picada umas 4, 5 vezes. Além do jejum, agora curto levar furadas... Sabe hobbie? O meu é esse... Jejuar e ser furada...

- Entro no recinto na temperatura da Sibéria... Canadá... Antártica... Somados... E com aquele aventalzinho humilhante... Deito naquela posição que só quem já fez ressonância de mamas sabe qual é... (Sabe o Super-Homem?) e lá vamos nós... "Deseja cobertor?"... Não querida... Faz parte da auto-flagelação congelar depois do jejum e das furadas... E você enfia sua cara num "protetor de cabeça" especificamente desenhado para alemães de 2,00 m de altura... Resumindo, sua cabeça não encaixa e você fica toda amassada... e... "não posso ficar doente de novo".



- Começa a rave... Aquele protetor de ouvidos não protege nada, só serve para apertar mais a sua cabeça... Começo criando músicas com aquele barulho, passo para umas 5 "Ave-Marias, 3 Pai-Nossos e umas 2 Salve-Rainhas"...  "não posso ficar doente de novo" - "Não respira, senhora..."
Oi??? Não respira? Ficar sem comer tudo bem... Sobrevivi... Sem beber água... Vá lá... umas 5 horinhas... Mas sem respirar?? Que p... é essa???? Modéstia a parte... Já sou craque em ressonâncias, respiro superficialmente que é uma beleza... Mas, essa era a ressonância da alegria... Aquela que me faria mudar minha forma de xingar os outros no trânsito... (hehe).

- "Senhora, a senhora vai sentir um geladinho..." blablabla... Já sei... 'vambora receber o geladinho... POOOOW, veia não deu conta... (fez parte do treinamento... "Veia, quando o contraste for injetado, exploda!"). Banho de contraste (É muito legaaaal...!). Aperto a perinha... "Me chamou?" É assim mesmo... (e de novooo esse papinho se repete... Para que falam para a gente apertar, se quando a gente aperta não acreditam que a gente está precisando...?). Mesmo que fosse por piti infectado... É meu direito ter piti... Foi mal os donos da clínica marcarem 72672386 ressonâncias/minuto e vocês não poderem perder um minuto... Eu não posso congelar e ainda tomar um banho de contraste...  "não posso ficar doente de novo"...

- Voltamos ao exame... Mais pipipi, poin poin poin, tatata, tadatadatada, trec trec trec e vento na bunda... Depois de acertar o acesso, eu não poderia querer tudo, né? Ela não cobriu minha perna direito e o cobertor subiu... Foi ótimo... Parei de pensar  "não posso ficar doente de novo" e só pensava, minha bunda congelou. O povo todo da sala de exames deve estar olhando a minha bunda... Que saco, com fome, sede, frio e agora com vergonha da bunda de fora...

- Enfim, o exame acabou... E... Sabe aquela radiologista falante e inquisidora do começo do exame? (Até pedir para ver a cicatriz ela pediu!)... Pois é... O lado clínico dela só ia até às 18:45... Nem respondeu ao meu "deu tudo certo?"  ("não posso ficar doente de novo") e cá estou eu... Sofrida, traumatizada e ansiosa por mais 7 dias para receber esse laudo...

     Que assim seja por mais 5 anos, por mais 10 e por mais 50... Deus queira que eu ainda tenha muitas ressonâncias para fazer...



     E a parte boa desse momento em que você fica sozinha, tão sozinha com você e seus pensamentos (tudo bem, de bunda de fora e presa), é que você reflete sobre a real importância da vida, de como precisamos ser gratos por tudo que temos e podemos fazer...

     Obrigada, Senhor, Nossa Senhora (de Fátima, das Graças), Santa Rita, São Vicente de Paulo (meu mais novo amiguinho)... Obrigada por eu poder sair de lá andando, comer, beber e escrever esse tanto de besteira...  "não posso ficar doente de novo" - e que essa ideia fixa saia da minha cabeça a partir da semana que vem... E só volte nos próximos exames de revisão...

     Ah, só mais um pedido? Criem uma ressonância mais silenciosa e rápida, por favor... Obrigada, de nada. E quem puder, torce, reza, ora, para que meus exames estejam bons... Obrigada de verdade.

Beijos em todas.
E quem não gostou... "Ahhh, vai para a Ressonância..." rsrs (brincadeirinhaaaa!)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Não, eu não morri...

Oi, pessoal!

     Estou de volta... Estava há meses pensando no que escrever, cheguei a criar um diário de papel para sair escrevendo pensamentos conforme um livro (Para Manter a Mente Sã, da School of Life) me mandou, mas ainda sentia falta de estar mais presente aqui... Sabe aquela coisa do "amanhã eu faço?", pois é...

     Até que hoje, uma amiga de trabalho (que não sabia do meu "passado me condena"), me pediu para ver o blog depois que contei rapidamente do momento "minhas próprias células fdp tentaram me matar". Qual não foi a minha surpresa ao ouvir: "Poooo, você não escreve desde fevereiro! Vão achar que você morreu! Mega desestímulo para as amigas!" E eu esperando ouvir um reles "Que maneiro..."

     Pooooo, morrer não... Não ainda e espero que nem tão cedo... Ainda tenho tanto a fazer... O cabelo, as unhas, colocar um preenchimento aqui, terminar o mamilo (tô no devedor quanto a isso!), finalmente frequentar a academia e ter um abdome sarado, uma bunda no lugar... Enfim, tantas coisas úteis ao mundo... A Terra não pode ficar sem mim agora!

     Graças a Deus, por hora, não tenho onconovidades para contar, mas a ressonância das mamas está marcada para 19 de junho... Uuuuiii... Medinho, arrepio na espinha, orações, velas compradas, terços em punho e 'vambora torcer para não ter nada além de um Birads2. Porque hoje eu estava engarrafada pensando em qual momento eu fui mais feliz nos últimos meses e lembrei: ler um Birads2 na última RNM. Conclusão: ou minha vida anda bem b... Ou depois de ter tido um Birads6, o mais legal da vida é realmente ter um 2 vida...

     Hummm... Quanto às novidades "outcancer"... Estou num emprego novo, num curso novo, com um namorado já quase velho (hehe, ele me mata agora!), com o mesmo carro, na mesma microcasa e com 3 gatos... Simmm, tenho três gatos agora. E... Com planos animados para 2016.

     Gente, hoje nem estava mega criativa, mas vim aqui só para dizer que ainda estou vivinha da silva... E que volto... E em breve! :)

     Mil beijos!!!

     

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Porque um dia você vai mudar de lado...

       Olá, meninas!

     Para variar, um título meio bizarro. Mas vou explicar logo: saí do lado "paciente" e fui para o lado "acompanhante". E sim, ele pode ser tão cansativo quanto. 

     Minha mãe passou mal esses dias. Nada de emocionante, mas mãe é mãe, vocês sabem. Ela teve uma dor de cabeça e como boa cabeça-dura que é, foi sozinha ao hospital. Começa aí o "outro lado".

     Quando é você quem está doente, você não tem muito o que fazer a não ser enfrentar o tratamento. Não tem muita opção: ou é isso ou morrer. E a não ser naqueles dias de "deprê master blaster plus", a opção MORRER está sempre fora de cogitação. O jeito então é encarar o tratamento que for e seguir em frente. Nunca me considerei a guerreira por isso. Na verdade, não tinha outra opção. Não fui heroína. Qualquer um no meu lugar faria isso. Alguns com mais bom humor, outros com menos, mas todos encaramos cirurgias, quimio, efeitos colaterais e afins. Massss, vamos voltar ao lado "acompanhante"!



     Como é difícil ter medo do que pode acontecer com quem a gente ama, né??? Nossa, acho que nesse momento tive um pensamento mega egoísta do tipo: "ufa, ainda bem que fui eu que fiquei doente!" Ficar do outro lado esperando resultado de exames, tendo que aguardar em salas de espera por notícias, conversar com médicos (nessa hora esqueço os anos de faculdade e trabalho!) e pensar em quais decisões tomar é beeem mais difícil do que ficar doente e receber o tratamento. Na boa. E nessa eu aprendi mais uma coisa: entender o que quem me ama, passou... Deve ter sido difícil para caramba! E mais uma vez aprendi uma lição: temos que tentar nos colocar no lugar do outro SEMPRE. Só assim podemos agir melhor e entender o sentimento (e atitudes) alheio. E facilita para todo mundo. Sei que isso tem um nome em psicologia, mas tô com preguicinha de dar uma "googlada". Foi mal, tá?

     Mas como tudo tem uma parte engraçada. Vamos a parte "sala de espera". Hoje era o dia da ressonância de revisão. Acabou que o lugar onde tinha horário mais perto, era exatamente aonde fiz minhas ressonâncias. Trauminha... Barulho bizarro, lembranças ruins dos dias logo após o diagnóstico. Minha mãe entrou e eu vagando nas minhas lembranças... Até que... Criancinha começa a gritar. Beleza, super entendo. Se eu, adulta, quando me via perto de entrar naquele túnel sem graça, me via com vontade de gritar, que dirá uma criança. Perdoei e compreendi. Apesar de achar que aquela mamãe fofa podia tentar dar uma educada no seu pimpolho. Mas vá lá. Nada que atrapalhasse minha leitura da Claudia de 1967 e da Veja de 1978. Aí sim, você vê que nada está tão ruim que não possa piorar. Sala lotada, tiozão de óculos escuro se achando, senhora reclamando que o exame DELA está atrasado, mocinha estilo periguete senta ao meu lado. Perfume de 5a (6a, sábado E domingo). Mas isso não era o suficiente para tornar aquela experiência revolucionária. Ela pega uma balinha e tasca na boca. Impressionante os sons que uma simples boca é capaz de fazer. Escrevi um post no Facebook e deixei bem visível para que ela lesse. Deve ter lido, porque mudou de cadeira, massssssss.. PEGOU OUTRA BALA e fez ainda mais barulho. Só uma coisa a dizer: saudades do toin, toin, pioonn, pionnn, ta, ta, ta... da ressonância. Ah e quero uma máquina que nem essa da foto!



     Muitos beijos e, por favor, me digam que não sou chata! :) Mas que vocês também detestam barulho de "boca"...